ED FERREIRA/ESTADÃO
ED FERREIRA/ESTADÃO

Base aliada quer usar reformas para desviar governo do foco da Lava Jato

Enquanto líderes como Efraim Filho (DEM-PB) dizem que agenda dos inquéritos da lista de Fachin não devem contaminar pauta do Planalto, oposição alega falta de legitimidade

Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2017 | 18h31

BRASÍLIA - Deputados da base aliada defendem as reformas da Previdência e trabalhista no Congresso como forma de o governo se "desviar" da pauta da Operação Lava Jato, que teve na terça-feira, 11, um importante capítulo com a abertura de novos inquéritos contra políticos autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações da Odebrecht.

Como revelou com exclusividade o Grupo Estado, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou abertura de inquérito para investigar 98 pessoas, incluindo oito ministros do governo Michel Temer; 24 senadores, entre eles, o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE); e 39 deputados, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No governo, o maior temor é de que a divulgação das delações da Odebrecht paralise as votações no Congresso das reformas da Previdência e trabalhista, prioridade número 1 do governo federal neste ano. As duas reformas ainda estão em fase de discussão em comissões especiais na Câmara, de onde seguirão para o plenário da Casa.

"Quem está apostando que a lista de Fachin vai atrapalhar as reformas está enganado. O Congresso vai ter de mostrar trabalho para desviar da pauta judicial", afirmou o deputado Lúcio Vieira Lima (BA), vice-líder do PMDB na Câmara e um dos 39 deputados que tiveram inquérito aberto pelo STF.

Agendas separadas. Líder do DEM na Casa, o deputado Efraim Filho (PB) afirma que os parlamentares não podem deixar que a agenda da Lava Jato "contamine" as reformas. "A pior resposta neste momento seria a omissão, a inércia, seria não fazer nada. Não podemos deixar que uma agenda contamine a outra. Não é hora de paralisia", disse.

Na avaliação do parlamentar paraibano, o Congresso tem de ter "maturidade e serenidade" para separar as duas agendas. "Ambas são importantes para o País. A agenda da Lava Jato correrá na Justiça, que é o fórum adequado. Aqui no Congresso, trataremos das reformas que falam da recuperação econômica do País", afirmou.

Também um dos 39 deputados alvo de inquéritos, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) reconheceu que a lista de Fachin traz "instabilidade política" para o Congresso, mas não deve prejudicar as votações das reformas. "Acho que não vai prejudicar. Houve uma denúncia e os parlamentares estão aqui para se defender", disse.

Sem legitimidade. Opositores do governo, por sua vez, afirmam que o Congresso não tem credibilidade para fazer as reformas, diante da divulgação da lista de Fachin. "O Congresso perdeu a legitimidade", afirmou Júlio Delgado (PSB-MG), contrário à reforma da Previdência. Ele defende novas eleições para deputados e senadores.

Também nesta quarta, o primeiro-vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que é do partido do presidente Michel Temer, disse que os inquéritos autorizados por Fachin vão afetar "totalmente" as reformas. Ele defendeu que o governo retire a reforma da Previdência de tramitação, sob pena de ser derrotado.

"As coisas são graves, gravíssimas, mas o parlamento vive das ruas. Mas hoje, se você me perguntar sobre as reformas, neste momento, é muito ruim passar qualquer tipo de reforma no Parlamento. Eu, se fosse o governo, recolheria a reforma da Previdência. É melhor recolher do que perder", declarou Ramalho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.