Base aliada quer discutir mais cargos com Lula

Depois de aprovada a proposta de reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, o governo terá de enfrentar a insatisfação de seus aliados por causa do preenchimento de cargos federais nos Estados antes de a reforma chegar ao plenário. Líderes governistas querem que o governo discuta melhor a relação do Palácio do Planalto com os partidos que dão sustentação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O governo precisa reavaliar sua relação com os partidos da base antes de votar a proposta de reforma no plenário. Nosso capítulo termina aqui. A partir desse ponto, o governo precisa discutir melhor o que entende por aliados", disse um governista presente na reunião de ontem do ministro da Casa Civil, José Dirceu, com os líderes da base. Na reunião de ontem ficou fechado o acordo entre os aliados para aprovar o parecer do relator da reforma da Previdência, José Pimentel (PT-CE), na comissão especial. Nessa reunião os líderes deixaram claro que esse entendimento se limitava à votação na comissão especial e que nova negociação seria feita antes de a proposta ser votada no plenário da Câmara. Um líder governista afirmou que a insatisfação na base está na falta de preenchimento de pequenas funções que já poderiam estar definidas. São cargos considerados pequenos, sem repercussão financeira, mas que dão prestígio político para quem indica o seu ocupante em seu município ou em seu Estado. Para mostrar essa desarticulação, esse mesmo líder citou um caso pitoresco: seu partido havia conseguido fazer uma nomeação que foi desfeita no mesmo dia pelo Palácio do Planalto a pedido de um adversário de seu próprio partido no Estado. Esses dois partidos em questão são da base de Lula no Congresso. Reforma ministerialNa reunião de ontem com os aliados, o ministro José Dirceu tomou a iniciativa de dizer que a reforma ministerial só será feita no final do ano. Dirceu usou uma linguagem figurada para afirmar que ainda não tinha condições de atender todos os pleitos. Ele pegou dois copos quase cheios de água e disse que o conteúdo transbordaria se virasse um dentro do outro. Um outro líder da base avalia que o governo precisa cumprir o que combinou com seus aliados e preencher os cargos que prometeu nos Estados. Segundo essa mesma fonte, não foram cumpridos sequer 40% do que já foi acertado entre o governo e os partidos da base. Esse líder governista reclama que a situação do PT nos Estados já está resolvida, mas, em quase oito meses de governo, os aliados ainda esperam pelas nomeações. Outro governista avalia que partidos como o PMDB, o PTB e o PL terão mais dificuldade em bancar a aprovação da proposta de reforma do governo no plenário porque eles têm um procedimento diferente dos partidos que tradicionalmente estiveram ligados ao PT. Segundo essa avaliação, os líderes do PMDB, do PTB e do PL são mais cobrados pelas bancadas por causa dos cargos prometidos pelo governo que nunca foram preenchidos.

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