Base aliada de Lula sai dividida na disputa em Recife

PT, PSB, PTB, PDT e mais 11 partidos estão no projeto de eleição do sucessor do prefeito João Paulo (PT)

ANGELA LACERDA, Agencia Estado

07 de junho de 2008 | 12h06

Com dois candidatos da base aliada do seu governo disputando a prefeitura do Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá - pelo menos explicitamente - adotar um favorito na eleição desta capital. PT, PSB, PTB, PDT e mais 11 pequenos partidos que apóiam o governo federal estão alinhados em torno do projeto de eleição do sucessor do prefeito João Paulo (PT), o petista João da Costa, que deixou nesta semana a secretaria municipal do Orçamento Participativo para disputar o cargo. Também ao lado do presidente, o deputado federal Carlos Eduardo Cadoca (PSC) se coligou ao PP, do ministro das Cidades, Márcio Fortes, para tentar chegar à prefeitura.Na oposição, a situação também é de fragmentação. Ex-integrantes do grupo político do ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), o ex-governador Mendonça Filho (DEM) e os deputados federais Raul Henry (PMDB) e Raul Jungmann (PPS), estão no páreo. Mendonça até o momento está sozinho, sem coligações; o PPS de Jungmann atraiu o PV; e o PMDB de Henry - único a ter a bênção de Jarbas no primeiro turno - caminha com o PSDB. Por fora, correm o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, do PC do B, e o ex-vereador Clóvis Corrêa, do PSDC. Até o final do mês, quando se encerra o prazo para alianças, eles poderão ter desistido das suas candidaturas.Candidato mais forte politicamente, por contar com o apoio das máquinas federal, estadual e municipal, João da Costa admite ser o mais desconhecido dos candidatos, mas confia no seu potencial, nos apoios e na avaliação positiva das gestões municipal, estadual e federal. Bem avaliados, o prefeito João Paulo (PT) e o governador Eduardo Campos (PSB) só perdem para o presidente Lula em aprovação popular. João da Costa foi basicamente imposto pelo prefeito João Paulo. Houve divergências internas e resistências no PT, mas a aliança foi costurada e pesquisas internas de partidos revelam que o pré-candidato saiu de uma incômoda preferência que se situava abaixo dos 5% para 'ter presença garantida no segundo turno', como ele mesmo afirma. João da Costa ainda busca a adesão do PC do B e terá o maior tempo nos programas de rádio e televisão. No mínimo, ele ficará com um terço do tempo - a expectativa é de 10 a 13 minutos por programa. Disputa na TVCadoca e Mendonça aparecem como os nomes mais fortes eleitoralmente, mas eles não contam com forte retaguarda de partidos e terão tempo bem menor na televisão. Mendonça não descarta a possibilidade de vir a ter um coligado e aposta na força e representatividade política e eleitoral do Democratas. A sigla envolve cinco ex-prefeitos do Recife e seis ex-governadores. Já Cadoca confia no peso do seu nome, tem voto próprio e foi o deputado federal mais votado no Recife. A aliança com o PP deu mais alento à candidatura, que deverá ficar com três minutos de tempo no rádio e televisão.Raul Henry, que já foi vice-prefeito, terá o segundo maior tempo de campanha - em torno de sete minutos por programa. Ele aposta no crescimento da sua candidatura não somente porque contará com Jarbas Vasconcelos, mas porque acredita ter o melhor projeto para a cidade em uma campanha que classifica de propositiva.

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