Base aliada de Arruda é maioria em investigação de denúncias

Aliados de governador do Distrito Federal dominam CPI, CCJ e comissão especial que analisará impeachment

Carol Pires, da Agência Estado ,

11 de janeiro de 2010 | 14h50

 

 

BRASÍLIA - A base aliada do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ficou com a maioria das vagas da CPI da Corrupção e da Comissão Especial que analisará os pedidos de impeachment contra o governador.

 

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Os deputados distritais governistas também serão maioria na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, colegiado que julgará a constitucionalidade dos pedidos de impeachment e dos processos disciplinares contra 10 parlamentares. O deputado distrital Geraldo Naves (DEM) foi escolhido 4presidente da CCJ.

 

Membros do governo a Câmara Legislativa são citados no inquérito da operação Caixa de Pandora como supostos beneficiários do esquema de recebimento de propina. O inquérito aponta Arruda como o chefe do esquema.

 

Durante quase toda a manhã desta segunda-feira, 11, os 24 deputados distritais discutiram a formação dos colegiados. Esta tarde serão eleitos os presidentes e relatores dessas comissões.

 

Retorno

 

Ao retornar ao cargo, o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido) - que ficou conhecido pelo vídeo em que coloca nas meias dinheiro supostamente oriundo de propina -, decidiu fechar as dependências do prédio para o acesso do público. Ele alega questões de "segurança".

 

Cerca de mil pessoas, divididas entre um grupo pró e outro contra Arruda, protestam em frente à Câmara Legislativa, com carros de som e megafones.  O clima também é tenso dentro da Câmara, onde jornalistas estão sendo impedidos pela Polícia Legislativa de ter acesso ao corredor das comissões

 

Para a CPI da Corrupção foram escalados os deputados Batista das Cooperativas (PRP); Alírio Neto (PPS), Raimundo Ribeiro (PSDB), Eliana Pedrosa (DEM) e Paulo Thadeu (PT). Dos cinco deputados escolhidos, dois - Batista e Eliana - teriam algum tipo de envolvimento com o esquema de recebimento de dinheiro.

 

Conforme revelou o Estado, Batista das Cooperativas participou de reunião na casa do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, em que deputados tentaram negociar um contrato de patrocínio com a escola de samba Beija-Flor, que irá homenagear Brasília em seu samba-enredo de 2010. O objetivo seria pressionar o governo para tentar atravessar o negócio.

 

Membro do secretariado de Arruda, Eliana também teve seu nome envolvido nas denúncias. As empresas de seu filho e de sua irmã são acusadas de terem contratos com o governo sem licitação. Ela deixou a Secretaria de Desenvolvimento Social para ajudar Arruda na Câmara.

 

Comissão Especial

 

A Comissão especial, que será conduzida por Chico Leite (PT), Cristiano Araújo (PTB), Alírio Neto (PPS), Batista das Cooperativas (PRP) e Geraldo Naves (DEM), também possui membros envolvidos no esquema. Embora não seja citado no inquérito da Polícia Federal que investiga o esquema, uma empresa da família de Cristiano Araújo aparece numa planilha de caixa 2 da campanha de Arruda revelada pelo Estado. Desde 2007, a empresa já recebeu R$ 240 milhões.

 

Já a CCJ será formada por Batista das Cooperativas (PRP), Doutor Charles (PTB), Eurides Brito (PMDB), Geraldo Naves (DEM) e Chico Leite (PT). Eurides Britto foi flagrada em vídeo colocando na bolsa maços de dinheiro recebidos das mãos de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda responsável pela gravação dos vídeos que desencadearam o escândalo.

 

Alguns deputados como José Antonio Reguffe (PDT) e Jaqueline Roriz (PMN) não puderam participar das comissões, porque não fazem parte de nenhum bloco partidário.

 

Solução no Judiciário

 

Na avaliação de Reguffe, como os aliados de Arruda são maioria nas comissões, é pouco provável que o esquema de corrupção envolvendo o governo local seja investigado pelo Legislativo. "A solução vai passar pelo Judiciário. Não vai partir da Câmara onde a maioria é governista", disse Reguffe.

 

Ele informou que, durante a reunião geral nesta manhã, foi pedido ao deputado Leonardo Prudente para que deixe a presidência da Casa, uma vez que ele também é alvo de investigação. O pedido foi feito pelos quatro deputados do PT e Reguffe, que formam o bloco oposicionista.

 

Prudente, no entanto, insiste em permanecer no cargo. "É um deboche com a população o Prudente continuar na presidência. Em nenhum país sério um investigado conduz sua própria investigação.

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