Base acredita que agenda do governo em 2008 está praticamente acabada

Mal começou o ano e a agenda do governo no Congresso está praticamente encerrada. Uma realidade que explica o clima de confronto entre base aliada e oposição, como ocorreu na votação da criação da TV pública na madrugada de quarta-feira. "O que falta votar é a reforma tributária, que é do Estado, e não do governo", resume, pragmático, o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE)."Há temas importantes na pauta, mas não a ponto de parar o Executivo", concorda o senador Sibá Machado (PT-AC). "Como não tem nada vital para a sobrevivência do governo, a discussão pode ser feita tanto este ano, como no ano que vem."Foi de caso pensado, diante desse cenário favorável ao Palácio do Planalto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instigou seus aliados a medir forças com a oposição no Congresso. A orientação foi cumprida e os governistas impuseram dura derrota ao PSDB e ao DEM no Senado na votação da MP que criou a TV pública. Irritados, tucanos e integrantes do DEM romperam a interlocução com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e agora prometem dificultar a vida do Planalto em todas as comissões técnicas e no plenário. Ainda ameaçam paralisar totalmente os trabalhos, caso o presidente Lula não cesse a edição de medidas provisórias.CONFORTOMas isso não inibe os petistas. Ao contrário, a situação do governo é tão confortável que a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), fez questão de exibir seu entusiasmo. "Dormi só duas horas, mas estou radiante", disse Ideli na manhã de quarta-feira. "A empáfia e a arrogância da oposição eram demais.""O plenário virou um ringue e o clima está ruim, mas não tinha jeito. A oposição precisava saber que temos condições de vencer no voto, pela regra democrática", argumenta Jucá.

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

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