Barragem de Furnas está com 21% da capacidade

A falta de chuvas nas cabeceiras dos rios Paranaíba e Grande, entre os Estados de Minas Gerais e Goiás, tem sido responsável pelo baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas localizadas na região Sudeste do País. Com isso, a Usina Hidrelétrica de Furnas (MG), o principal reservatório do Rio Grande, está com apenas 21,77% da capacidade da barragem tomada pela água. Já a Usina Hidrelétrica Emborcação - situada na divisa dos Estados de Minas Gerais e Goiás -, que pertence à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), tem apenas 30,88% do reservatório coberto pela água.Este balanço está no site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) www.ons.org.br e mostra um quadro bastante crítico para assegurar a geração de eletricidade este ano. Uma reunião nesta sexta-feira na sede da entidade servirá para prever a quantidade de água, neste mês, nos reservatórios das usinas no território nacional. No início da semana, foi constatado que os lagos das hidrelétricas estavam com 34,7% da capacidade ocupada por água.A expectativa feita no início deste mês era de chegar ao dia 31 de março com 41,8% de água. A revisão que será feita aponta para um quadro pior, ou seja, a quantidade de água nos reservatórios ficará entre 36% e 38%. Para afastar os riscos de racionamento seriam necessários que os lagos das hidrelétricas na Região Sudeste chegassem a marca de 49% no fim de maio."Para que a situação fique melhor no decorrer deste ano será preciso que chova nas cabeceiras dos rios", afirmou um técnico do governo. "Ocorre que tem vindo muita água em locais que não ajudam a encher os reservatórios."TransmissãoO diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, explicou que é necessário construir mais linhas de transmissão para que sejam reduzidos os riscos de desabastecimento de energia. Ele disse que se o linhão Norte-Sul 2 estivesse em operação seria possível transportar energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA) até o Distrito Federal. As obras somente ficarão prontas em março de 2003.Existem as linhas de transmissão entre a Usina Hidrelétrica Serra da Mesa (GO) e o município de Governador Mangabeira (BA); Curitiba e São Paulo; e Campos Novos (SC) a Blumenau (SC). Estes trechos permitirão levar energia para as Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Porém, somente entram em funcionamento daqui a dois anos. "Estamos construindo as maiores rodovias de eletricidade do País", explicou Abdo.Os planos da agência reguladora constam que 5.200 quilômetros de linhas serão levados à licitação este ano. Hoje, Abdo anunciou que colocará em disputa, no dia 12 de junho, 700 quilômetros de linhas que serão construídos por empresas privadas. Os grupos vencedores receberão dinheiro pela passagem da energia elétrica. As linhas também podem ser usadas para cabos de fibra ótica.InvestimentosO setor privado será responsável por investimentos de R$ 25 bilhões para assegurar a produção de 10.900 Megawatts (MW) nos próximos anos. É que serão vendidas licenças para construção de 18 usinas hidrelétricas que, juntas, representam R$ 17 bilhões de investimentos. A Aneel vai autorizar também 40 projetos de usinas termoelétricas e 50 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), usinas que produzem até 30 MW."Vamos plantar este ano esta quantidade de energia para ser colhida no futuro", destacou. "Estou falando de empreendimentos que serão colocados em operação nos próximos quatro a cinco anos." Para este ano, o parque de geração de energia contará com um acréscimo de 6.000 MW, sendo 2.500 MW vindos de 11 usinas térmicas.Abdo acredita que se estes investimentos tivessem sido feito no começo da década, inclusive na construção de linhas de transmissão, não haveria riscos de abastecimento no País. "As chuvas estão menos intensas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste" disse. "Esta questão poderia ser resolvida se tivéssemos linhas de transmissão para fazer um intercâmbio entre as regiões já que no Sul e no Norte, as usinas existentes estão com os reservatórios mais cheios."

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