Barjas Negri diz que não sabia da máfia das ambulâncias

O ex-ministro da Saúde Barjas Negri (PSDB) admitiu nesta terça-feira, em depoimento à CPI dos Sanguessugas, a existência de acordos políticos para a liberação de recursos, segundo a Agência Brasil. Negri ressaltou, no entanto, que desconhecia o esquema de favorecimento das empresas privadas, com utilização ilegal das verbas do orçamento para a compra de ambulâncias. "Não dá pra colocar nas costas do Ministério da Saúde as relações dos Vedoins (donos da Planam, empresa envolvida no esquema) com as prefeituras. O nosso compromisso era com as prefeituras?, afirmou Negri, atual prefeito de Piracicaba e ministro da Saúde de fevereiro a dezembro de 2002, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, os convênios passavam por avaliações técnicas para adequar os pedidos dos parlamentares à realidade do Orçamento. Os parlamentares e as bancadas indicavam as entidades beneficiadas com os respectivos valores. As emendas eram pagas de acordo com a disponibilidade financeira do ministério. ?O que havia era uma relação estreita com os parlamentares. Os recursos para as emendas representavam de 0,6% a 1,5% do Orçamento do Ministério da Saúde. Mais de 10 mil pedidos eram feitos por ano e entre 2 a 3 mil aprovados?, calcula Barjas Negri, que foi secretário-executivo do ministério na gestão do ministro Carlos César Albuquerque, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Nessa época, segundo Negri, o ministério cortou em 20% o número de emendas parlamentares incorporadas ao Orçamento para incentivar Estados e municípios a também apresentar contrapartidas aos investimentos. "Às vezes eram realizados acordos políticos para a liberação de mais recursos. Recebi muito pleito para atender, mas isso não significava liberar. Grande parte das emendas eram aprovadas sem coloração partidária, com o critério de inclusão de municípios mais carentes?, contou Barjas Negri. O ex-ministro disse que no início do governo Fernando Henrique Cardoso a maior parte dos recursos em saúde foram liberados para a conclusão de obras inacabadas em hospitais e postos de saúde. O financiamento de ambulância teria aumentado no segundo mandato, mas ainda assim seria inferior ao realizado no atual governo. Um levantamento apresentado por Negri mostra que em 2002 o ministério firmou 634 convênios para a compra de ambulâncias, em um valor total de R$ 49,8 milhões. Em 2005, o número de convênios teria passado para 1.477, movimentando um total de R$ 149,9 milhões. ?O Ministério da Saúde não sabia que havia o esquema de intermediação. Nunca ouvir falar da Planam, nem conheço os Vedoin, donos da empresa?, afirmou o ex-ministro. Sobre o empresário Abel Pereira, apontado como intermediador no esquema de favorecimento, Barjas Negri disse que o conhecia como um empresário atuante em Piracicaba, mas só o recebeu em audiência uma vez, em 2002, durante uma reunião com o prefeito de Jaciara, que reivindicava recursos para a conclusão de obras. Indagado sobre uma doação de R$ 15 mil, feita pela Sicat, empresa de Abel Pereira, para a sua campanha em 2004, Negri negou que os recursos tenham sido repassados como forma de beneficiamento ilegal.

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