Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Barbosa promete comprometer Arruda em depoimento à CPI

Acusado em vários processos, ex-secretário foi o pivô das denúncias que expuseram o 'mensalão do DEM'

Vannildo Mendes, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2010 | 17h08

O ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal (GDF) Durval Barbosa prestará depoimento, possivelmente na próxima semana, à CPI da Corrupção instalada na Câmara Legislativa do DF para investigar o chamado Mensalão do DEM. Autor das denúncias que implodiram o esquema, ele garante, por meio de seus advogados, que não irá usar o direito de ficar calado, e promete trazer fatos novos que comprometeriam ainda mais governador, José Roberto Arruda (sem partido). Segundo inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o esquema seria comandado pelo governador.

 

O compromisso de viabilizar o depoimento para a próxima semana, no máximo, foi assumido, nesta terça-feira, 19, pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Luiz Fernando Corrêa, em conversa com dois deputados distritais, informou a Assessoria de Imprensa da PF. O delegado confirmou, segundo assessores, que conversará com Durval Barbosa e com integrantes do Ministério Público Federal para definir o melhor local e a data para que o depoimento do ex-secretário - considerado um arquivo vivo - seja dado em segurança.

 

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Durval disse que mostrará em detalhes como Arruda supostamente comandava o esquema de distribuição de propina com parlamentares da base aliada, secretários e autoridades, ao mesmo tempo em que era também um dos eventuais beneficiários do esquema, que usaria parte do dinheiro para engordar o patrimônio familiar. Entre os fatos novos, Durval promete provar que é mesmo de Arruda a letra do manuscrito, intitulado "Agenda Resumida 2009", de nomes e valores relacionados ao suposto recebimento de propina pelo governador e pela ONG Fraterna, de sua mulher, Flávia Arruda.

 

O manuscrito, que faz parte de um conjunto de documentos apreendidos na casa de Domingos Lamoglia, seu antigo colaborador e mais recentemente nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Os papéis estão sendo submetido à perícia do Instituto Nacional de Criminalística, que dará um laudo nos próximos dias.

 

Estiveram com Corrêa os deputados distritais Paulo Tadeu (PT-DF), integrante da CPI e autor do requerimento de convocação de Durval Barbosa, e Érika Kokay (PT-DF), líder da oposição no Legislativo distrital e defensora da abertura de um processo de impeachment do governador. Os outros quatro integrantes da CPI, contrária à convocação imediata de Barbosa, não compareceram ao encontro com o diretor da PF.

 

Proteção especial

 

Barbosa, acusado de irregularidades em vários processos que tramitam no STJ, está sob proteção especial da PF determinada pelo tribunal. Ele fez as denúncias depois que o Ministério Público Federal, com a concordância do STJ, fez com ele um acordo de delação premiada - pelo qual as sentenças contra ele poderão ser atenuadas em troca de revelações sobre o esquema de corrupção.

 

O comparecimento do ex-secretário, conhecido como "rei do grampo" no Distrito Federal e responsável por gravações em vídeo que mostram o governador, secretários e parlamentares recebendo dinheiro suspeito, é considerado fundamental para as investigações da CPI da Corrupção. Essa CPI foi criada sob suspeitas pelo fato de que nove dos 24 deputados da Câmara Distrital são acusados de receber propinas de empresas integrantes do esquema de corrupção.

 

"Estamos confiantes de que, nos próximos dias, a PF organizará esse depoimento importante para elucidar todos os fatos relacionados ao esquema vergonhoso que funcionava no Distrito Federal", afirmou Paulo Tadeu. Ele disse esperar que Durval Barbosa apresente fatos novos e detalhe como funcionava o esquema e quais eram seus principais personagens. Depois, será definido o calendário dos depoimentos seguintes. Um dos primeiros a depor deverá ser o governador Arruda.

 

Esquema antigo

 

Pelas denúncias de Barbosa, parlamentares e secretários recebiam propinas que eram arrecadadas junto a empresas beneficiadas pela assinatura de contratos com o governo de Arruda. O esquema, segundo o próprio Arruda, começou na administração anterior, do então governador Joaquim Roriz (ex-PMDB, hoje no PSC). Barbosa, durante o governo Roriz, comandava a Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan). Barbosa, que envolveu nas denúncias também um integrante do Judiciário - o conselheiro Domingos Lamoglia, conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal -, era quem distribuía as propinas.

 

Não compareceram ao encontro de hoje com o diretor da Polícia Federal nem o presidente da CPI da Corrupção, deputado Alírio Neto (PPS), nem o relator, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB). O partido de Alírio é um dos suspeitos de participar da arrecadação de propina junto a empresas. Já Raimundo Ribeiro era secretário de Justiça e Cidadania do governo Arruda e deixou o cargo após as denúncias para reassumir mandato na Câmara e defender o governador.

 

 

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