Barbosa critica 'capitalismo de compadres' entre empresas e poder público

Para ex-ministro do STF, é preciso acabar com a ideia de que não é possível 'empreender sem ter uma verbinha do governo'

José Roberto Castro, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2015 | 13h09

SÃO PAULO - O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa disse nesta terça-feira, 16, que é "totalmente favorável à preservação das empresas" envolvidas na Operação Lava Jato. Como solução para os prejuízos acumulados por elas depois que o escândalo foi descoberto, Barbosa sugeriu que "o próprio capitalismo" resolva o problema. "Empresas que estão encrencadas em atos de corrupção, com certeza deve haver inúmeras empresas loucas para comprá-las, para incorporá-las", disse o ex-ministro.

Em seguida, o ex-presidente do STF criticou duramente o que chamou de "capitalismo de compadres" e "relação umbilical" entre o poder público e grandes empresas e disse que, no Brasil, não há "capitalismo verdadeiro". Ele defendeu inclusive que empresas estrangeiras, acostumadas ao capitalismo de mercado, assumam essas companhias e implantem novas práticas.

"Precisamos romper com esse capitalismo de compadres, essa história de não conseguir empreender sem ter uma verbinha do governo". Barbosa disse ainda que estamos assistindo ao "definhamento público" de grandes empresas que sempre voltam a recorrer às relações com o governo. "Elas querem se manter não por suas próprias pernas, querem sempre manter essa relação umbilical", completou.

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