Barão do Rio Branco foi quem desmontou plano

O oeste brasileiro, que já havia sido disputado por portugueses e espanhóis, despertou a cobiça dos belgas por sua localização estratégica - entre as bacias amazônica e platina, de onde seria possível partir para outras conquistas no continente no futuro. O governo brasileiro demorou a perceber a ameaça. Mas um homem atentou para o perigo: o Barão do Rio Branco, que assumiu o Ministério das Relações Exteriores em 1902.Figura central da diplomacia brasileira, conhecido como o homem que consolidou as fronteiras do País, o Barão, sabe-se agora com as revelações do livro Os Belgas na Fronteira Oeste do Brasil, foi mais importante do que se imaginava. "Achava-se que seu maior feito tinha sido a resolução da questão do Acre, mas agora ficou provado que foi, na verdade, desmontar uma colônia belga no coração do País", ressalta o embaixador Jeronimo Moscardo, presidente da Fundação Alexandre Gusmão, editora da publicação, resultado da tese de doutorado de Domingos Sávio da Cunha Garcia. Não chegou a haver comprometimento das relações Brasil-Bélgica, nem mesmo necessidade de intervenção diplomática, mas a embaixada lá monitorou os avanços dos belgas por aqui. "O Barão teve a exata compreensão dos atores que estavam em jogo, sabia que os interesses eram fortes. Ao desatar a questão do Acre, por tabela desmontou a tática dos belgas", diz o pesquisador.

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