Banrisul quer processar União por PF ter divulgado ação

O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) estuda a possibilidade de uma ação indenizatória contra a União pelos prejuízos causados pela forma com que a Polícia Federal (PF) divulgou os dados da Operação Mercari. A informação é do advogado contratado para representar a instituição financeira, Fábio Medina Osório, o mesmo que defende a governadora Yeda Crusius (PSDB) das acusações no caso do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho, em tramitação na Justiça Federal desde 2009.

WÁLMARO PAZ, Agência Estado

06 de setembro de 2010 | 16h19

Segundo o advogado, a ação indenizatória não questionaria o mérito da investigação, "mas o caráter espalhafatoso da divulgação da operação", além do "processo eleitoral em curso". Osório orientou a direção do banco a contratar uma consultoria externa para produzir um laudo que aponte potenciais prejuízos decorrentes da divulgação da Mercari. Explicou que a ação é contra a União, que poderá chamar as pessoas físicas responsáveis.

A Operação Mercari revelou, na última quinta-feira, o desvio de R$ 10 milhões do Banrisul por meio de superfaturamento de ações de marketing. A polícia investiga a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizado no financiamento de campanhas eleitorais, segundo afirmou o delegado Ildo Gasparetto.

Além disso, a direção do Banrisul iniciou hoje uma auditoria interna na Superintendência de Marketing e nomeou um funcionário de carreira como superintendente interino, Ildo Musskopf, que administrará o setor acompanhado diretamente pelo presidente do banco, Mateus Bandeira. Desde a sexta-feira todas as ações de marketing do banco estatal gaúcho estão suspensas. Todos os pagamentos do setor também foram suspensos, bem como a participação em feiras e eventos.

Na quinta-feira haverá uma reunião do Conselho de Administração do Banrisul para avaliar a situação. As ações do banco estavam sendo comercializadas a R$ 15,90 na Bovespa, baixa de 1,66% em relação à sexta-feira passada, quando foram comercializadas a R$ 16,40.

Depoimento

Os quatro suspeitos do desvio de R$ 10 milhões prestaram depoimento hoje. No entanto, o advogado Auri Lopes Junior, que defende o diretor da DCS, Armando D''Eliza Neto, o orientou a falar somente em juízo. Ele e seu colega José Paganella Bosque, que defende o sócio da SLM Gilson Storck, aguardavam decisão sobre os pedidos de liberdade provisória feitos na sexta-feira. Walney Fehlberg e Davi Antunes de Oliveira também foram ouvidos em sigilo.

As investigações continuam sendo feitas em sigilo de Justiça e a PF não se manifesta desde a sua ultima nota oficial, na sexta-feira. Na ocasião, foi preso Davi Antunes de Oliveira portando a importância de R$ 82 mil. Ele seria o intermediário das ações entre o banco e as empresas de publicidade.

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