Banrisul estuda ação indenizatória contra União e diz que divulgação foi 'espalhafatosa'

O advogado contratado pelo banco afirmou que a medida será tomada devido ao 'caráter espalhafatoso da divulgação da operação' feita pela PF

Wálmaro Paz, de O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2010 | 16h10

PORTO ALEGRE - O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) estuda a possibilidade de uma ação indenizatória contra a União pelos prejuízos causados pela forma com que a Polícia Federal (PF) divulgou os dados da Operação Mercari. A informação é do advogado contratado para representar o banco, Fábio Medina Osório, o mesmo que defende a governador Yeda Crusius (PSDB) das acusações no caso do DETRAN/RS em tramitação na Justiça Federal desde 2009. Segundo ele, não será questionado o mérito da investigação, "mas o caráter espalhafatoso da divulgação da operação e além dos prejuízos a instituição temos um processo eleitoral em curso".

 

Medina Osório orientou a direção do banco a contratar uma consultoria externa para produzir um laudo que aponte potenciais prejuízos decorrentes da divulgação da Mercari. Explicou que a ação é contra a União, mas esta poderá chamar as pessoas físicas responsáveis, no caso do superintendente da PF, delegado Ildo Gasparetto.

 

Além disso, a direção do Banrisul iniciou nesta segunda-feira, 6, uma auditoria interna na Superintendência de Marketing e nomeou um funcionário de carreira como superintendente interino, Ildo Musskopf que administrará o setor acompanhado diretamente pelo presidente do banco Mateus Bandeira.

 

Desde a sexta-feira todas as ações de marketing do banco estatal gaúcho estão suspensas. Todos os pagamentos do setor também foram suspensos bem como a participação em feiras e eventos. Na próxima quinta-feira, 8, haverá uma reunião do Conselho de administração do Banco para avaliar a situação. As ações do banco estavam sendo comercializadas a R$ 15,90 nas Bovespa, com uma baixa de 1,66% em relação à sexta-feira passada quando foram comercializadas a R$16,40.

 

Os quatro suspeitos do desvio de R$ 10 milhões prestaram depoimento nesta segunda-feira. No entanto o advogado Auri Lopes Junior, que defende o diretor da DCS, Armando D'Eliza Neto o orientou a falar somente em juízo. Ele, juntamente com seu colega José Paganella Bosque, que defende o sócio da SLM, Gilson Storck, aguardavam decisão sobre os pedidos de liberdade provisória feitos na sexta-feira.

 

Walney Fehlberg e Davi Antunes de Oliveira também foram ouvidos em sigilo.

 

As investigações continuam sendo feitas em sigilo de Justiça e a Polícia Federal não se manifesta desde a sua ultima nota oficial na sexta-feira, Na ocasião, foi preso Davi Antunes de Oliveira portando a importância de R$82 mil. Ele seria o intermediário das ações entre o banco e as empresas de publicidade.

 

A operação Rodin, efetuada em 2008 e 2009 descobriu o desvio de R$ 40 milhões do DETRAN/RS por diversas entidades e atores políticos, a ação corre em segredo de Justiça. Já a Operação Mercari revelou, na última quinta-feira, 2, o desvio de R$10 milhões do Banrisul através de superfaturamento de ações de marketing. Além dos suspeitos a polícia investiga a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizado no financiamento de campanhas eleitorais, segundo afirmou o delegado Ildo Gasparetto na entrevista coletiva da semana.

Tudo o que sabemos sobre:
BanrisulPFaçãodesvio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.