Banqueiro teria tentado suborno de US$ 1 milhão

Delegado diz que dinheiro foi oferecido a policiais para excluir Dantas, sua irmã e um filho do inquérito

Fausto Macedo e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

09 de julho de 2008 | 00h00

O banqueiro Daniel Dantas tentou escapar da Operação Satiagraha oferecendo US$ 1 milhão aos policiais federais que o investigavam. A estratégia do controlador do Grupo Opportunity era fazer com que a Polícia Federal excluísse ele, seu filho e sua irmã do inquérito sobre fraudes e lavagem de dinheiro. O suborno também serviria para que a PF abrisse investigação diretamente contra o empresário Luis Roberto Demarco, ex-sócio de Dantas, hoje seu rival. As revelações foram feitas pelo delegado federal Protógenes Queiroz. Especial explica o esquema que levou à prisão de Dantas Galeria: veja mais imagens da operação da PF Fórum: Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Preso pela PF, Pitta já foi condenado à prisão em outro caso Delegado que prendeu Dantas atuou em outros escândalos Naji Nahas vendia ações a si próprio Dois emissários de Dantas, Hugo Chicaroni e Humberto José da Rocha Braz, o Guga, aproximaram-se do delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, da equipe de Queiroz, e pediram a ele que revelasse nomes que estavam sob vigilância. O juiz Fausto De Sanctis autorizou a PF a fazer ação controlada, com escuta telefônica e ambiental - os contatos tiveram seqüência sem que Chicaroni e Braz fossem autuados em flagrante por corrupção ativa. Os dois tiveram prisão preventiva decretada.Durante as "negociações", os enviados do banqueiro chegaram a dar R$ 129 mil ao delegado. Os encontros ocorreram no restaurante El Tranvia, na Rua Conselheiro Brotero, 903. Eles disseram ao delegado que a preocupação de Dantas seria apenas com a primeira instância judicial, uma vez que no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal "ele resolveria tudo com facilidade". O juiz De Sanctis definiu o suborno como "método espúrio, numa clara afronta ao Judiciário"."Em pelo menos dois contatos, esse grupo ofertou ao delegado da PF, a título de demonstração de boa-fé, R$ 50 mil em um primeiro momento, e R$ 79 mil, aproximadamente, num segundo momento", destacou o procurador da República Rodrigo de Grandis. "A promessa de propina ao delegado, a audácia do grupo criminoso, que não respeita as instituições brasileiras, foi de US$ 1 milhão."A primeira gratificação ocorreu no prédio onde reside Hugo Chicaroni, em Moema. O delegado o acompanhava. Hugo subiu ao apartamento e retornou à portaria com uma bolsa preta com 10 pacotes, cada qual com R$ 5 mil. Foi no dia 19 de junho. Hugo iria confirmar nova reunião com o objetivo de pagamento de propina de cerca de US$ 500 mil."Se tudo desse certo, eles gostariam de conversar sobre um outro trabalho, essas pessoas propuseram também um acerto para o delegado para que ele criasse uma investigação contra um adversário de Daniel Dantas que é o senhor Luis Roberto Demarco", assinalou o procurador.

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