Banqueiro quer falar, mas defesa prefere silêncio

O banqueiro Daniel Dantas, alvo maior da Operação Satiagraha, vai hoje à Justiça Federal para depor no processo em que é acusado de corrupção ativa por suposta tentativa de suborno do delegado da Polícia Federal Vitor Hugo Rodrigues Alves. É quase certo, porém, que o silêncio será a estratégia da defesa. O criminalista Nélio Machado, defensor do controlador do Grupo Opportunity, informou que Dantas está "vivendo uma angústia e quer desabafar um pouco, quer botar para fora tudo o que passou, tudo o que padeceu".Mas o advogado ressalvou: "Estou fazendo uma avaliação porque tenho um processo cheio de imperfeições em que se buscam ciladas. Existe um sentimento pessoal dele (Dantas) de que a oportunidade de falar é agora. Uma pessoa que sofreu tantas violências, tantas arbitrariedades tem um componente interno que leva à tendência natural de extravasar. Mas tenho que adotar uma postura racional, não emocional. Então, eu vou avaliar, vou meditar, considerar esses aspectos."O silêncio já marcou a primeira audiência do processo. Ontem, diante do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, Humberto Braz, braço direito de Dantas, recusou-se a depor. Ele é apontado como um dos emissários do banqueiro na negociação com o delegado a quem teria oferecido US$ 1 milhão em troca do arquivamento do inquérito que originou Satiagraha. A defesa de Braz alegou que não teve acesso à transcrição dos áudios de interceptação ambiental que a PF realizou durante dois encontros dos aliados de Dantas com o delegado em um restaurante em São Paulo. "A qualidade de som e imagem dos arquivos é péssima", declarou o advogado Renato de Moraes, defensor de Braz. "Não identificamos os interlocutores dos encontros que deram base à denúncia da procuradoria. Requeremos a transcrição completa, mas nosso pedido foi indeferido. Não foi um pedido protelatório."

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