Banqueiro fica sozinho na cela em presídio

A primeira noite na cadeia do banqueiro André Esteves, dono do banco de investimentos BTG

Clarissa Thomé , / , RIO, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2015 | 02h02

Pactual, foi solitária. Ele é o único ocupante de uma cela de seis metros quadrados na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, uma das 21 unidades do Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio. Reservada para presos com curso superior, a unidade não sofre com a superlotação que afeta outros presídios fluminenses - há vagas para 154 presos, das quais 138 estão ocupadas.

Esteves, que foi preso na quarta-feira sob suspeita de tentar atrapalhar as Operação Lava Jato, não precisou passar pelo constrangimento de ter os cabelos raspados, como acontece com os que ingressam no sistema penal. De acordo com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, a medida tomada para evitar que os detentos transmitam piolhos uns para os outros não se aplica aos presos com ensino superior.

Refeição. Como a prisão é temporária e expira amanhã, o banqueiro não deve receber visitas. Ontem, um advogado esteve com ele, mas não levou comida. Esteves recebeu a mesma refeição servida aos outros detentos: moela, arroz, feijão, purê de batata e guaraná natural.

Esteves chegou à cadeia pública no início da madrugada de ontem. Ele deixou a sede da PF, na zona portuária, às 22h20 de quinta-feira, numa patrulha da corporação. Foi para o Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de corpo de delito. Depois, seguiu para o presídio Ary Franco, na zona norte, unidade para presos da PF. Ary Franco é considerada uma das piores unidades do Rio. A ONU já recomendou seu fechamento. Pouco antes da meia-noite, foi levado ao Complexo Penitenciário de Gericinó.

Caso a presença do banqueiro na cadeia se estenda para além de amanhã, Bangu 8 reviverá os dias de carros de luxo estacionados na entrada do complexo, como no período em que outro banqueiro passou por ali: Salvatore Cacciola, que cumpriu quatro anos de pena por peculato e gestão fraudulenta e saiu em liberdade condicional.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende Esteves, chegou ontem ao Rio. Ele deve visitar o cliente hoje. Kakay disse que não tentará nenhuma medida para o relaxamento da prisão.

O advogado afirmou que esperará o fim do prazo de cinco dias da prisão temporária. Se não for prorrogada, André Esteves deixará a cadeia pública amanhã, sem necessidade de alvará, disse o advogado.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.