Banpará pode ter tido administração paralela

O ex-presidente do Banpará Nelson Ribeiro disse nesta terça-feira ao senador Romeu Tuma (PFL-SP), da comissão do Conselho de Ética do Senado, que havia indícios de uma administração paralela no banco estatal, que atenderia exclusivamente ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) durante o período em que foi governador do Pará.Ribeiro afirmou ainda que, na época, o Banpará teve um rombo de R$ 14 milhões. Tuma volta nesta quarta-feira a Brasília para trabalhar na conclusão do relatório que investiga se Jader quebrou o decoro parlamentar por causa da suspeita de desvios de dinheiro do Banpará.Ele deixa Belém sem ter conseguido ouvir nenhum dos três principais acusados de terem contribuído para os desvios no Banpará. Apesar de Tuma negar, existe a suspeita de que as principais testemunhas não compareceram aos depoimentos por pressão.No final da semana passada, uma assessora de Jader chegou a pedir à comissão de investigações a lista dos depoentes. "Se eles não compareceram à audiência que fizemos, não poderão escapar dos depoimentos na fase de inquérito policial. Ali serão obrigados a ir nem que seja sob vara", afirmou Tuma.O depoimento desta terça seria do ex-diretor financeiro do Banpará Jamil Xaud, que foi acusado pelo ex-gerente Marcílio Guerreiro de Figueiredo de ser o responsável pela emissão dos cheques administrativos do banco que foram parar em uma aplicação, no banco Itaú, no Rio. Xaud teve que passar por exames médicos, mas enviou um fax para Tuma esclarecendo que nada tinha a informar, já que as transações feitas envolvendo os cheques eram legais.Mas o depoimento mais esperado acabou não acontecendo. Era o do também diretor do Banpará Hamilton Guedes, que seria o intermediário entre Jader e o banco. Guedes, que foi deputado estadual pelo PMDB e secretário do senador seria, na verdade, quem operava em nome de Jader na administração paralela que se implantou no banco, já que Nelson Ribeiro, apesar de ser amigo do presidente licenciado do Senado, não era avisado sobre nada do que acontecia no Banpará. Nem mesmo o destino dos cheques era de conhecimento de Ribeiro, que também substituiu Jader no Ministério da Reforma Agrária. O ex-secretário particular de Jader e seu segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, também deixou de comparecer à audiência e não deu justificativas.Ribeiro foi beneficiado com R$ 1,3 milhão de aplicações feitas com cheques administrativos do Banpará. "Pelo que ouvimos, dá para crer que havia um espécie de administração paralela dentro do banco", confirma Tuma, que retorna nesta quarta a Brasília e se reúne com técnicos do Banco Central para analisar os últimos levantamentos feitos sobre o caminho tomado pelo dinheiro desviado do banco, que acabou em parte em aplicações de Jader.O senador Romeu Tuma vai levar documentos que recebeu em Belém, onde se confirma que parte do déficit do Banpará, na época da administração Jader, era por culpa de créditos dados a pessoas ligadas ao senador.

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