Banpará beneficiava amigos de Jader

Desde 1984, antes mesmo de relatório feito pelo Banco Central, a direção do Banco do Estado do Pará (Banpará) sabia que irregularidades ocorridas na instituição beneficiavam pessoas ligadas ao atual presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), então governador do Estado. Documentos internos mostram que empresas ligadas a Jader eram beneficiadas de várias formas, o que causou um elevado índice de inadimplência. Jader também é suspeito de ter sido beneficiado com o desvio de recursos do Banpará, que foram parar em uma conta do Banco Itaú, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Ao atender a um pedido de informações feito por auditores, em 13 de junho de 1984, o gerente da agência central do Banpará, Marcílio Guerreiro Figueiredo, afirmou que já havia regularizado algumas contas, mas ressalva que duas empresas mantinham saldo devedor - J.M. Administração e Participação e Eccir - porque eram "clientes ligados ao governador." As empresas eram de José Maria Mendonça, um dos colaboradores da campanha de Jader, na época. Em outro ofício, de 12 de julho do mesmo ano, respondendo aos mesmos auditores, o gerente voltou a afirmar que o alto índice de inadimplência de alguns clientes tinha uma razão: "São clientes ligados ao governo, já sendo inclusive de conhecimento da audin (auditoria interna)." ProcessoDepois de sete anos, o processo que apura os desvios de R$ 10 milhões do Banpará foi apresentado à juíza Rosileide Cunha. O processo havia desaparecido do Fórum de Belém. Segundo a juíza, o documento era anterior a 1994, quando começou o processo de informatização do Poder Judiciário, o que justifica a demora em encontrá-lo. A juíza vai começar, na segunda-feira, a analisar a possibilidade de anexar o relatório do Banco Central, comprovando os desvios. O documento está atualmente em poder do Ministério Público.Os dois volumes do processo, de aproximadamente 800 páginas, estavam no arquivo do Fórum. Segundo Rosileide, o arquivamento se deu em função de o interessado na ação, o advogado Paulo Lamarão, não ter se preocupado em dar prosseguimento ao caso, nos últimos anos. Lamarão nega, e assegura que não havia apenas dois volumes, mas de três, sendo que o último era justamente o relatório do BC. "Não sabemos se existia o terceiro volume, mas vamos verificar e, dentro de três dias, resolveremos a questão", afirmou a juíza.

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