Banespa poderia ter sido federalizado em 95, diz Arida

O ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida declarou, na CPI do Banespa, que em março de 1995 poderia ter decidido, com amparo legal, federalizar o banco paulista, e só não o fez por achar que "seria um ato despropositado ante o caráter federativo do País". Em exposição inicial de 20 minutos, Arida lembrou que a sua intenção como presidente do BC era devolver o Banespa ao governo paulista. Segundo ele, a partir de um acordo com o então governador de São Paulo, Mario Covas, o Banespa passaria a ter uma gestão compartilhada com o setor privado, e seria instalado um juízo arbitral. "Mas por motivos pessoais deixei o Banco Central antes disso", afirmou. Na avaliação do relator da CPI, deputado Robson Tuma (PFL-SP), depois de mais de uma hora de depoimento, Arida "está sendo firme e sincero com a comissão?. A exemplo de Tuma, o deputado Lamartine Pousella (PSDB-SP) tem pedido freqüentes desculpas a Arida por não entender de banco. A inexperiência técnica dos parlamentares tem feito com que o ex-presidente do BC seja repetitivo em sua justificativa sobre a decretação do regime de administração especial temporária (Raet) no Banespa em dezembro de 1994. Segundo Arida, o banco tinha sérios problemas de liquidez, e chegou a virar a conta de reservas no BC. Na época, contou, o Banespa estava recorrendo diariamente ao Banco Central e chegou a tomar empréstimos de R$ 5,6 bilhões junto à autoridade monetária. Arida rebateu ainda a afirmação do deputado Pousella, de que o BC só fez o Raet porque o Banespa deixou de apresentar garantia para estes empréstimos por um dia. Segundo ele, a situação que o Banespa vivia na época levaria um banco a ter problemas de liquidez em qualquer lugar do mundo.

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