Bancoop pediu votos para Lula, diz CPI

Suspeita foi levantada por integrantes da Comissão na Assembleia Legislativa de SP

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2010 | 10h03

SÃO PAULO - A Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) participou diretamente de campanhas eleitorais do PT e, por meio de seu antigo presidente, Luís Malheiro, chegou a pedir votos para o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e para outros nomes do partido, entre eles Ricardo Berzoini, ex-presidente da sigla.

 

A suspeita foi levantada por integrantes da CPI da Bancoop, na Assembleia Legislativa de São Paulo, que investiga denúncias - de suposta lavagem de dinheiro, desvio de recursos dos cooperados e fraudes - contra a cooperativa. Cópia de uma carta que teria sido redigida por Malheiro em 2002 chegou às mãos de parlamentares do PSDB. Hoje, o documento será juntado aos autos da CPI.

 

Na carta atribuída a Malheiro, ele pede "aos amigos cooperados que confiem seu voto ao Ricardo Berzoini para deputado federal". "Sua reeleição é muito importante para o cooperativismo e para os trabalhadores", diz o texto. "Sua influência levou ao programa de governo do Lula. O Brasil precisa de parlamentares como ele."

 

A carta cita também João Vaccari - sucessor de Malheiro, que morreu em 2004, em acidente de carro na cidade de Petrolina (PE). "Nosso diretor João Vaccari é suplente de senador na chapa de Aloizio Mercadante", destaca o texto. "Somos um dos melhores exemplos de que cooperar é o melhor caminho para atingir nossos sonhos e que os trabalhadores podem administrar seu próprio destino."

 

Em fevereiro, Vaccari deixou a presidência da Bancoop para assumir o papel de tesoureiro do PT. Ele é o alvo principal do Ministério Público que lhe atribui responsabilidade pelo desvio de R$ 100 milhões da cooperativa.

 

Denúncia. O promotor de Justiça José Carlos Blat requereu a quebra do sigilo de bancário de Vaccari. "Os dirigentes da cooperativa transformaram-na em negócio lucrativo, utilizando os benefícios da lei para lesar milhares de cooperados", sustenta o promotor. "Uma parte desse dinheiro foi para o PT, outra parte para o enriquecimento ilícito de ex-dirigentes da Bancoop."

 

A CPI vai apurar quem enviou e quem pagou as despesas com a postagem da carta. "É uma questão relevante saber se foi o Malheiro quem mandou a carta ou se foi a Bancoop quem mandou e pagou", disse o deputado Bruno Covas (PSDB), relator da comissão. Ele ressaltou "o conteúdo do texto que enfaticamente pede votos e cita Vaccari".

 

Covas assinalou que o próximo passo da CPI é tomar o depoimento de "testemunhas importantes", entre as quais Hélio Malheiro, irmão de Luís. Hélio já depôs ao Ministério Público Estadual e revelou detalhes sobre repasses de doações para campanhas do PT. Declarou que "muitas vezes se viu obrigado a entregar valores de grande monta para o partido". Ele está sob proteção policial. Em seguida, a CPI planeja ouvir integrantes da atual diretoria da Bancoop.

 

Berzoini não respondeu ao telefonema do Estado. A Bancoop, por meio de sua assessoria, afirmou que "não tem conhecimento da carta". Alega que "nunca viu a carta e não tem conhecimento de nenhum pedido de votos ou de doação para campanhas de cunho eleitoral".

 

A Bancoop alega ainda que não houve desvios de recursos e que está cumprindo todos os contratos e fazendo a entrega das chaves no prazo previsto.

 

Dirigentes da Bancoop estranham que a carta que chegou à CPI não tenha sido redigida em papel timbrado da cooperativa e dela não conste a assinatura de Luís Malheiro, apenas o seu nome datilografado.

 

O tamanho do rombo

 

R$ 100 mi

é quanto teria sido desviado da cooperativa

8.600

é o número de cooperados da Bancoop; destes, 3 mil ainda não receberam o imóvel

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