Bancoop é ''organização criminosa'', diz promotor

"Mais que uma empresa particular, a Bancoop é uma organização criminosa que visa dinheiro e poder à custa de muitas famílias que acreditaram num projeto habitacional e tiveram seus bens efetivamente dilapidados ao longo dos anos, inclusive para financiamento de campanhas eleitorais do PT", declarou ontem o promotor de Justiça José Carlos Blat, em depoimento na Assembléia, à Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor.Blat conduz investigação sobre a Bancoop, que milhares de cooperados acusam de não cumprir contratos e não entregar as chaves dos imóveis que adquiriram. O promotor depôs no Auditório Franco Montoro, transformado em palco de protestos por cerca de 400 manifestantes, que estenderam faixas por todos os cantos, uma delas cobrando intervenção do presidente Lula, ele próprio dono de um apartamento da Bancoop - já entregue.O promotor não citou nomes, afirmou que sua preocupação agora é "identificar a materialidade delitiva dos crimes", mas deu uma pista: "Dirigentes e ex-dirigentes utilizaram a Bancoop como organização criminosa. Não quer dizer que todos estejam envolvidos." Anotou que "os maiores desvios" ocorreram no período entre 2001 e 2005. "Pessoas que figuravam e figuram na direção da cooperativa, contrariando os interesses dos cooperados e da própria entidade, são sócios cotistas de empresas que prestam serviço e fornecem matéria-prima para empreendimentos imobiliários com proveito econômico próprio, caracterizando efetiva finalidade lucrativa, transformando a Bancoop em verdadeira empresa comercial", acusou Blat.Ele afirmou que o inquérito policial sobre o caso já reúne "informações contundentes, documentos que comprovam desvio de finalidade, desvio de dinheiro, apropriação indébita, estelionato, lavagem de capitais, formação de quadrilha e crimes eleitorais". Citou valores e números de seis cheques emitidos por uma empresa de fachada que teriam sido destinados à campanha do PT, em 2002. As doações, anotou o promotor, não constam dos registros da Justiça Eleitoral.Luiz Borges D?Urso, criminalista que defende a Bancoop, rechaça a acusação. "A Bancoop jamais fez doações, não há desvio de dinheiro nem financiamento de campanhas eleitorais." D?Urso afirma que a gestão João Vaccari, presidente da cooperativa, "saneou a empresa e equilibrou as finanças, inclusive providenciou auditoria independente, o que demonstra a lisura da administração".A Bancoop nega caixa 2 para o PT. Por nota, informou que "já interpelou judicialmente todos os que fizeram denúncias ou acusações levianas contra a entidade".

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