André Dusek/Estadão
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Banco suíço que Mantega mantinha conta está disposto a colaborar com a Justiça

Ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma tinha conta sigilosa de US$ 600 mil

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2017 | 16h31

GENEBRA – O Banco Pictet, usado pelo ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma, Guido Mantega, para manter na Suíça de forma sigilosa US$ 600 mil, se recusou a fazer comentários sobre o caso, mas afirmou, em nota, que está disposto a colaborar com a Justiça sempre que for chamado. Em nota à imprensa, o banco afirmou que “em linha com sua política e obrigações legais de confidencialidade, nunca comenta” sobre potenciais relações com clientes, sejam eles atuais, passados ou mesmo de pessoas que não sejam correntistas.

De acordo com o Pictet, tampouco o banco falaria sobre “investigações em andamento, em especial quando nomes de pessoas estão em jogo”. Ainda assim, a instituição financeira aponta que “se solicitada e onde for apropriado, cumpriria sem dúvida as obrigações legais em relação às autoridades competentes”. 

Nesta semana, Mantega confessou, por meio de petição de sua defesa ao juiz federal Sérgio Moro, que mantém uma conta na instituição suíça, sem estar declarado ao fisco brasileiro. Segundo ele, o dinheiro seria parte da venda de um imóvel herdado de seu pai.

A Moro, o ex-ministro ainda afirmou que “abre mão de todo e qualquer sigilo bancário, financeiro e fiscal, inclusive de conta estrangeira aberta antes de assumir o cargo de Ministro da Fazenda, na qual recebeu um único depósito no valor de US$ 600 mil (seiscentos mil dólares) como parte de pagamento pela venda de imóvel herdado de seu pai”, afirmou.

No documento, Mantega disse que não espera nem “perdão nem clemência pelo erro que cometeu ao não declarar valores no exterior”. Mas insiste que “jamais solicitou, pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza como contrapartida ao exercício da função pública, conforme poderá inclusive confirmar o extrato da conta”. De acordo com o ex-ministro, ele enviaria o extrato assim que o banco lhe enviasse uma copia. 

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