Banco suíço pressionou Maluf a fechar conta

O banco suíço UBS confirmou ao Estado que o ex-prefeito Paulo Maluf manteve contas nessa instituição financeira, uma das mais poderosas da Europa. Pedindo para que sua identidade fosse mantida em sigilo, pois estaria "no limite do que um banco poderia informar sobre seus ex-clientes", um alto funcionário do UBS relatou ontem que suspeitas sobre as movimentações de Maluf obrigaram o banco a pedir esclarecimentos ao ex-prefeito. "Mais tarde, fomos obrigados a aconselhá-lo a buscar um outro banco", afirmou. A fonte preferiu não comentar sobre a carta, de 16 de dezembro de 1996, pela qual Maluf teria informado ao UBS que doaria o saldo total de uma conta bancária para seus filhos. Mas deu a entender que todos os documentos em posse dos procuradores brasileiros tiveram origem na Suíça e devem ser considerados legítimos. "Cooperamos plenamente com a Justiça." Para Rudolf Bürgin, assessor de Comunicações do UBS, a confidencialidade do sistema bancário suíço "não é absoluta". "O direito à privacidade pode ser suspenso por uma ordem de um juiz, quando um procedimento está em andamento sobre crimes como lavagem de dinheiro e corrupção." No caso de Maluf, a ordem de suspensão de privacidade foi dada pelo juiz Claude Wenger, de Genebra. Enquanto a Assessoria de Imprensa se limitou a dar declarações oficiais, o alto representante do banco contou que, entre 2001 e 2002, o UBS passou a "não se sentir confortável" com as contas de Maluf e sugeriu que ele buscasse outro banco. "Foi nesse momento que ele saiu." O mal-estar teve como base as movimentações bancárias de Maluf. "Suspeitas foram levantadas sobre as movimentações", explicou o funcionário do UBS, ressaltando que a instituição possui uma rede de pessoas espalhadas pelo mundo que informa à direção do banco sobre alguns de seus clientes e sugere que uma determinada conta seja "acompanhada". De fato, Maluf fazia parte de uma lista restrita de clientes do UBS, conhecida como PEP (sigla em inglês para Pessoas Politicamente Expostas). "Olhamos regularmente as contas das pessoas nessa condição. MissãoUma missão de autoridades paulistas fará uma visita a Genebra e Londres, no mês que vem, para tentar obter mais informações sobre as contas do ex-prefeito. A viagem deverá contar com a presença do Procurador-Geral do Município, Antônio Miguel Aith, do secretário municipal de Negócios Jurídicos, Luiz Tarcísio Teixera Ferreira, e de um advogado da União. O grupo espera obter mais documentos, que ainda estariam em poder do juiz de Genebra, e também conseguir ajuda para troca de informações com a Ilha de Jersey.

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