Banco suíço diz em carta que extrato de suposta conta de Romário é 'falso'

Banco suíço diz em carta que extrato de suposta conta de Romário é 'falso'

Instituição abre queixa penal no Ministério Público de Genebra contra 'desconhecido'

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 19h06

Atualizado em 06 de agosto de 2015, às 12h49

Genebra - O banco BSI diz em uma carta que o extrato de uma suposta conta do senador Romário (PSB-RJ) é "falso" e abre uma queixa penal no Ministério Público de Genebra. A instituição financeira afirma no documento, enviado ao parlamentar e ao qual o Estado teve acesso, que o ex-jogador "não é o titular dessa conta". O BSI não informa, porém, se Romário já foi cliente do banco ou se foi titular de alguma outra conta sob sua custódia.

Reportagem da revista Veja da semana passada informou a existência da conta com R$ 7,5 milhões, que não teria sido declarada à Receita Federal no Brasil. Após a publicação, Romário decidiu viajar até Genebra e se reuniu com advogados e com o BSI."Mostramos os extratos e o banco garantiu que esses documentos são falsos", disse Romário ao Estado na semana passada. 

Veja a carta do banco suíço:

Até agora, porém, o banco havia se recusado a comentar o caso e permaneceu em silêncio. Romário era o único que garantia que a conta não existia. A reportagem do Estado tentou depositar 1 franco suíço na conta. Mas o dinheiro retornou. 

Numa carta datada de 5 de agosto aos advogados contratados por Romário em Genebra, o banco informa que abriu uma " queixa penal na Procuradoria Geral de Genebra no dia 4 de agosto de 2015 ". 

Na queixa penal " contra um desconhecido " e endereçada ao procurador Olivier Jornot, o banco aponta que a instituição financeira " pode estabelecer com certeza que o extrato da conta é falso e que o sr. Romário de Souza Faria não é, portanto, titular de dita conta em nosso banco na Suíça ". 

A instituição financeira considera que os atos " constituem diversos delitos penais graves, em especial a falsificação de documentos ". " Diante dos fatos, o BSI solicita a abertura imediata de um processo penal ", diz a carta. 

O banco não fala se Romário é ou não titular de alguma outra conta da instituição nem se já teria sido correntista no passado. O BSI foi comprado pelo banco brasileiro BTG, no ano passado, mas a transação ainda não foi concluída. Entre os acionistas do BTG está o irmão do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. 

O senador relacionou o episódio que o ligou à conta milionária ao fato de atuar na CPI do Futebol, que pretende investigar dirigentes da CBF após o escândalo de corrupção na Fifa e a prisão do ex-presidente da confederação José Maria Marín, e de querer disputar a Prefeitura do Rio, em 2016. Na semana passada, Paes deu declarações se afastando de qualquer responsabilidade no caso e indicando que seu irmão o teria informado que o BTG não tem acesso às contas de clientes do BSI, na Suíça. 

Desculpas. Em nota divulgada nesta noite em seu site, a revista Veja admitiu o erro e pediu desculpas ao senador. "Por ter publicado um documento falso como sendo verdadeiro, VEJA pede desculpas ao senador Romário e aos seus leitores. Esse pedido de desculpas não veio antes porque até a tarde desta quarta-feira ainda pairavam perguntas sem respostas sobre a real natureza do extrato, de cuja genuinidade VEJA não tinha razões para suspeitar", afirma o texto.

Leia a íntegra do pedido de desculpas de VEJA:

Em seu perfil no Instagram e em sua página na internet, o senador Romário de Souza Faria publicou a informação de que recebeu do banco suíço BSI um documento (leia a íntegra em francês) enviado por aquela instituição financeira às autoridades daquele país. "Nós estabelecemos como certo que este extrato bancário é falso e que o Sr. Romário de Souza Faria não é o titular desta conta em nosso banco na Suíça."

O extrato em questão foi publicado há duas semanas por VEJA como prova de que Romário era titular de uma conta bancária na Suíça com saldo equivalente a 7,5 milhões de reais. O comunicado do BSI não deixa dúvida sobre as adulterações no documento e pede às autoridades que investiguem a autoria da falsificação.

Por ter publicado um documento falso como sendo verdadeiro, VEJA pede desculpas ao senador Romário e aos seus leitores. Esse pedido de desculpas não veio antes porque até a tarde desta quarta-feira ainda pairavam perguntas sem respostas sobre a real natureza do extrato, de cuja genuinidade VEJA não tinha razões para suspeitar.

A nota do BSI dissipou todas as questões a respeito do extrato. Ele é falso.

A investigação desse episódio, no entanto, continuará sendo feita por VEJA.

Estamos revisando passo a passo o processo que, sem nenhuma má fé, resultou na publicação do extrato falso nas páginas da revista, evento singular que nos entristece e está merecendo toda atenção e cuidado para que nunca mais se repita.


Tudo o que sabemos sobre:
RomarioSuíçaVeja

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.