Banco do Sul é vitória de Chávez frente ao Brasil, diz 'El País'

Para jornal, projeto ajudará venezuelano a ganhar influência na América do Sul.

BBC Brasil, BBC

10 de outubro de 2007 | 07h15

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu no Rio de Janeiro, onde foi assinada na terça-feira a proposta de criação do Banco do Sul, "uma vitória na batalha que livra para ganhar influência na América do Sul frente ao seu arqui-rival, os Estados Unidos, e inclusive frente a um aliado regional como o Brasil", afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário espanhol El País.A reportagem comenta que o Banco do Sul, que deverá ser criado oficialmente no dia 3 de novembro, é "o primeiro projeto chavista de envergadura regional que vê a luz". "Será um banco de desenvolvimento e começará com um capital de US$ 7 bilhões", diz o jornal.Segundo o texto, "o governo da Venezuela vem desenhado seu plano de integração nos últimos anos até identificar dois caminhos-chave, o financeiro e o energético". "O Banco do Sul é a ponta-de-lança da primeira via, enquanto que o Gasoduto do Sul, muito mais verde e difícil de concretizar, é a segunda", afirma.O diário observa que, por ter sido idéia de Chávez, inicialmente apoiada pelos presidentes Néstor Kirchner, da Argentina, e Evo Morales, da Bolívia, o banco terá sede em Caracas e subsedes em Buenos Aires e La Paz, mas nascerá com a participação também de Brasil, Equador, Paraguai e Uruguai.A reportagem comenta ainda que o novo banco "nasce como alternativa ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), duas instituições com sede em Washington e identificadas pela esquerda radical latino-americana como simples apêndices da Casa Branca".O jornal cita uma fonte não identificada do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que explica que inicialmente o país havia sido contrário ao Banco do Sul por já ter seu próprio banco de desenvolvimento, o BNDES, mas que aderiu posteriormente porque "se o Brasil quer manter sua influência regional, não pode se dar ao luxo de não participar de uma entidade onde há outros seis países"."Para Brasília foi muito importante que a nova entidade se definisse como de desenvolvimento, sem faculdades como as que têm o Fundo Monetário Internacional, que quando concede um crédito substancial também se converte em um vigilante da ortodoxia financeira do devedor", diz a reportagem.O jornal observa ainda que o Brasil defendia que os votos no conselho do banco fossem proporcionais aos aportes financeiros de cada país participante, mas que na ata de fundação prevaleceu a tese venezuelana de que cada país terá apenas um voto, o que reduz o potencial poder brasileiro no banco.Apesar de ter cedido na questão do voto no conselho, comenta a reportagem, o governo brasileiro "conseguiu uma condição que lhe interessava muito: que os créditos do Banco do Sul somente podem ser concedidos a países sul-americanos"."Aparentemente, a diplomacia brasileira queria evitar que prosperasse a idéia de Chávez de que o banco servisse também para ajudar a outros aliados de fora da região, como Cuba e Nicarágua, em programas assistencialistas de fundo ideológico e político e que poderiam distorcer o papel da futura instituição", diz o jornal.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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