Bancadas mineira e do PMDB pressionam e ganham mais

Olavo Calheiros foi o mais beneficiado do partido, com R$ 2 mi; Minas obteve R$ 17,7 mi de Transportes e Defesa

João Domingos e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

As bancadas de Minas e do PMDB, as duas que mais pressionaram o governo para a liberação de verbas das emendas parlamentares e por cargos nas estatais e no segundo escalão antes da aprovação da emenda que prorroga a CPMF, foram as mais beneficiadas no empenho de recursos do Orçamento deste ano. No PMDB, o deputado campeão de liberação de verbas foi Olavo Calheiros (AL), irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que abiscoitou R$ 2 milhões para as prefeituras de Chã Preta, Lagoa da Canoa, São José da Laje, Messias, Rio Largo e Japaratinga. A CPMF precisa ser votada no Senado, ainda comandado por Renan e onde o PMDB tem a maior bancada.Minas, que conseguiu R$ 17,7 milhões dos ministérios dos Transportes e da Defesa, principalmente para obras em rodovias, reivindica ainda a nomeação de João Augusto Fernandes para a Diretoria Internacional da Petrobrás, cargo também disputado pelo PT. Nos três primeiros dias da semana, R$ 1,4 milhão foi liberado também para estradas mineiras. Já o PMDB arrancou do governo R$ 5,8 milhões para emendas de sete deputados e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), que ficou com R$ 1,8 milhão para obras de saneamento da Prefeitura de Boa Vista, comandada por Teresa Jucá, sua mulher. O ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe conseguiu R$ 380 mil para programas de combate à doença de Chagas nas prefeituras de Pintópolis e Serranápolis; o ex-líder Wilson Santiago (PB) levou R$ 750 mil também para as prefeituras de Poço Dantas e Diamante; a deputada Lúcia Braga (PB) garantiu R$ 650 mil para saneamento das prefeituras de Emas e Conceição e o deputado Carlos Cadoca (PE) conseguiu R$ 150 mil para saneamento em Escada.Nos três primeiros dias desta semana, o Planalto liberou para as emendas dos parlamentares R$ 68,8 milhões dos Orçamentos de 2006 e 2007 e empenhou outros R$ 37,9 milhões referentes ao Orçamento deste ano.Comprometeu, assim, R$ 106,7 milhões com os pleitos dos aliados para garantir a cobrança da CPMF até 2011. O levantamento foi feito pelo DEM com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), onde são registradas as operações com dinheiro do Tesouro.Por sua assessoria, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, disse que a liberação das emendas não atendeu a pedidos baseados no fisiologismo, mas num calendário traçado anteriormente. No começo do ano ficou decidido que as emendas seriam liberadas em maio, setembro, outubro e novembro, sendo R$ 500 milhões em cada etapa. A burocracia atrasou os empenhos, segundo a assessoria, por isso a liberação acumulou em setembro.O governo empenhou também R$ 30 milhões para o metrô de Brasília. Dos oito deputados da capital, seis votaram a favor da CPMF, entre eles Bispo Rodovalho (DEM), que deverá ser expulso do partido. Ainda nos três primeiros dias da semana, o Planalto liberou R$ 32 milhões para três emendas da bancada paulista destinadas à aquisição da sede da Procuradoria Regional do Trabalho em São Paulo. A bancada do Rio Grande do Sul conseguiu R$ 7 milhões para estradas e o Acre obteve R$ 2 milhões para assentamentos.

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