André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Bancadas do PT aceitam apoiar pacote do governo

A estratégia pragmática de deputados e senadores para evitar o aumento da crise política e econômica segue manifestações de Lula e da direção da sigla

Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 16h53

BRASÍLIA- Para evitar o aumento das crises política e econômica que pode custar o mandato da presidente Dilma Rousseff, as bancadas do PT na Câmara e no Senado vão apoiar o novo pacote de medidas anunciadas pelo governo a fim de atingir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB no próximo ano. Mas, assim como ocorreu na primeira etapa do ajuste fiscal, não vão se furtar a fazer críticas às propostas e eventualmente sugerir mudanças a elas.

A estratégia pragmática de deputados e senadores petistas está em linha com manifestações de quinta-feira da direção do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Executiva Nacional do partido decidiu apoiar as medidas, mesmo as chamando de impopulares. Lula, por sua vez, suspendeu críticas públicas ao ajuste por avaliar que uma derrota no pacote pode ser fatal para o futuro político de Dilma.

Mesmo a contragosto, parlamentares do PT vão endossar as medidas, com reparos. Mas cada bancada deve atuar de uma forma. A da Câmara tende a fazer menos críticas públicas e dar apoio mais explícito ao pacote. A avaliação dos deputados petistas é de que, por ser a Casa em que começa a votação de um processo de impeachment, a bancada tem de estar unida neste momento. Segundo eles, sem esse endosso, outros partidos da base se sentiriam desobrigados a respaldar novamente medidas impopulares, como aumento de impostos. “Antes de pensar no ajuste, temos que pensar no mandato de Dilma”, resumiu um parlamentar do PT. “Não vamos fazer de uma marola, um tsunami”, disse um influente deputado do PT.

Um dos vice-líderes do partido na Câmara, o deputado Afonso Florence (PT-BA) considera que, para a bancada, o ajuste de agora é “menos traumático” do que o anterior, em que as Medidas Provisórias 664 e 665 endureciam, por exemplo, regras para concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários. “Vamos fechar posição e o partido vai ser fiel”, afirmou Florence.

Senado. No Senado, Casa em que defecções em votações como a do senador Walter Pinheiro (BA), contrário à nova CPMF, são esperadas, o governo deve ser alvo de mais reclamações. Para os senadores do PT, houve falta de aviso das medidas e queixas de que o Executivo deveria ter anunciado primeiro a reforma administrativa, depois propor cortes e por último aumentar impostos. Outra reclamação é que o governo não conseguiu deixar clara a mensagem de que, apesar dos cortes bilionários, os principais programas sociais foram preservados. Ainda assim, a bancada do PT do Senado também deve avalizar em peso o ajuste durante as votações. “Há um grande desânimo da bancada”, disse um senador petista, crítico da política econômica. “O caminho é ruim, mas as opções são ruins”, completou. /COLABOROU ISADORA PERON

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