Bancadas derrubaram projetos importantes no Congresso

A bancada da segurança conseguiu, em 2005, comandar em todo o País a vitória do "não" no plebiscito e garantir o direito ao porte de armas. A frente ruralista, que fez um barulhão por não ter sido "contemplada" no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), derrubou em 15 minutos um trabalho de três anos da CPI da Terra, que tentava condenar o trabalho escravo e denunciava abusos de proprietários rurais. No lugar, aprovou um texto atacando as invasões de sem-terra.A bancada evangélica travou, também em 2005, uma feroz batalha contra a Lei de Biossegurança e derrubou o artigo que autorizava a clonagem reprodutiva. A sindical não deixou que andassem as reformas trabalhista e sindical, prometidas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu segundo mandato, o presidente não está nem tocando no assunto. Essas vitórias, além de outras menos vistosas no dia-a-dia, mostram que as bancadas não brincam em serviço. Elas jogam pesado, trabalham com afinco - coisa muito rara nos partidos - e a legenda a que pertencem seus membros não vem ao caso. Há ruralistas em oito ou dez deles. Há evangélicos em quase todos - inclusive no PT, com a ministra Marina Silva (AC) e o deputado Walter Pinheiro (BA). A bancada da informática é presidida pelo tucano Júlio Semeghini (SP) e tem figuras ativas do PFL (José Carlos Aleluia, BA), do PSB (Beto Albuquerque, RS), do PCdoB (Jandira Feghali, RJ) e do PT (Walter Pinheiro, BA). "É uma das bancadas mais fortes, não tanto pelo tamanho, mas pela atuação", diz Semeghini. Um de seus êxitos recentes foi a lei que obriga o governo a investir 40% dos recursos do setor no Norte e Nordeste.Exemplo de profissionalismo, a bancada ruralista não dorme quando se discutem temas como reforma agrária, invasão de fazendas pelo MST, anistia para dívidas rurais, crédito oficial para comprar tratores ou adubos. Seus filiados são indicados, no início de cada mandato, com ajuda de entidades como a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e o Conselho Nacional de Agricultura (CNA). "Deixamos bem claro que, se o deputado trair a causa, levaremos a queixa para sua base e ele terá problemas", adverte um de seus líderes, o paranaense Abelardo Lupion (PMDB). A bancada evangélica foi montada em 1988, quando surgiram rumores de que a nova Constituição teria uma norma para transformar o catolicismo em religião oficial do Brasil. Os evangélicos foram à luta, montaram uma grande frente contra o aborto, a união entre pessoas do mesmo sexo e a cobrança de impostos das igrejas. A bancada sindical tem hoje 60 integrantes, muitos do serviço público. Barulhenta, sempre apoiada pela CUT, ela conseguiu impedir o fim da unicidade sindical e comemora os recentes aumentos no salário mínimo - "o maior de 30 anos".

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