Bancadas culpam umas às outras e o regimento

Diante da morosidade dos trabalhos da Assembléia Legislativa de São Paulo, os líderes dos principais partidos insistem na necessidade de uma revisão do regimento interno e cobram um esforço conjunto para dar celeridade aos trabalhos. Mas, em meio ao discurso conciliador, governistas e oposicionistas atribuem uns aos outros parte da responsabilidade por essa paralisia.De um lado, o PT acusa os partidos da base de aceitarem o papel de "homologadores" dos projetos apresentados pelo governo José Serra. De outro, o PSDB, legenda do governador, diz que falta aos oposicionistas disposição de evitar que rivalidades prejudiquem os trabalhos. "Essa paralisia tem dois culpados. O Executivo, que quer que a Assembléia funcione só como espaço homologatório, e a base, que aceita isso passivamente", ataca o líder do PT, Simão Pedro. "A oposição tem que fazer uma oposição responsável, de forma a não prejudicar os trabalhos", rebate a líder tucana, Maria Lúcia Amary.O líder do DEM, Estevam Galvão, também se queixa da relação com o PT, apesar de insistir em que o partido rival cumpre seu "papel legítimo de oposição". "Se nós tentamos dar velocidade, ficamos na dependência da negociação com o PT", critica.Na sua opinião, há espaço para melhorar a relação entre as bancadas, sob o comando da presidência da Casa. "É preciso que haja um afinamento do presidente, do líder do governo e das outras lideranças partidárias. Esse afinamento existe, mas ainda precisa melhorar."REGRASO líder do governo, Barros Munhoz (PSDB), reclama do regimento. Ele afirma que as regras que hoje guiam o funcionamento da Casa abrem uma margem grande demais para obstruções e tornam a tarefa de votar e discutir projetos ainda mais lenta.Munhoz acredita que a redução do tempo para discussão de projetos ajudaria a melhorar significativamente o quadro. "A culpa por essa paralisia é de um cidadão chamado regimento", diz. "A impressão que eu tenho é que não adianta nada começar a discutir um projeto, quando tem de haver 12 horas de discussão por exemplo. É um processo que não tem fim", acrescenta o líder do DEM.Maria Lúcia Amary, relatora de um projeto que altera as regras da Casa, acrescenta que o regimento atual já não atende mais às necessidades do Legislativo paulista. "Nosso regimento é muito antigo, foi feito durante a ditadura e é um pouco autoritário. Ele data de uma época em que havia apenas dois partidos. Hoje temos 13 bancadas", argumenta a líder tucana. "Se conseguirmos colocar em prática o novo regimento, provavelmente conseguiremos enxugar bastante a pauta."

Entrevista com

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