Bancada ruralista quer solução para dívida até fevereiro

Presidente da Comissão afirma que clima é de 'quase revolta'; governo diz que apresenta proposta até segunda

ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

24 de janeiro de 2008 | 12h52

O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, deputado Marcos Montes (DEM-MG), afirmou que o clima é de "quase revolta" na bancada de parlamentares do setor ruralista, com a demora do governo em renegociar a dívida agrícola. Segundo ele, a bancada vai marcar "posição" no Congresso se o governo não der uma solução ao problema até 11 de fevereiro. Ele não explicou, no entanto, de que forma a bancada marcará posição, se com obstrução das votações ou voto contrário aos projetos do governo.       O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, afirmou nesta quinta que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se comprometeu a apresentar na próxima segunda-feira  uma resposta ao setor agrícola em relação à situação dos produtores que têm dívidas vencendo de janeiro até março. O problema foi causado porque o governo havia se comprometido a negociar o assunto até o dia 31 de dezembro. No entanto, com as discussões em torno do fim da CPMF,  essa negociação foi adiada para março. José Múcio Monteiro defendeu  a renegociação da dívida dos agricultores, pela equipe econômica. "A renegociação é necessária", disse o ministro, ao chegar ao Ministério da Fazenda, para uma reunião com os ministros Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Marcos Montes (DEM-MG).  Segundo José Múcio, a renegociação é uma pendência do governo e o ministro da Fazenda já tinha se comprometido com os parlamentares da bancada ruralista para uma conversa e fazer também um estudo de avaliação da dívida. O parlamentar afirmou que o governo não está dando a devida importância à bancada que contém cerca de 200 parlamentares de partidos da base aliada e da oposição. "É uma bancada forte. A grande maioria é do governo. Ela tem que fazer valer os seus direitos em defesa do produtor", afirmou ele, após encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar de renegociação da dívida de R$ 130 bilhões. O representante dos ruralistas acusou o governo de estar empurrando o acordo "com a barriga".       Encontro  No encontro, segundo Montes, o ministro prometeu dar uma resposta até segunda-feira para o pleito do setor de suspensão do pagamento de parcelas da dívida que vencem em janeiro, fevereiro e março. O estoque dessas parcelas somam cerca de R$ 30 bilhões.   O ministro da Fazenda havia se comprometido, no final do ano passado, a dar uma solução para o endividamento dos produtores rurais , mas, por causa da extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), no final do ano, e a perda de R$ 40 bilhões em arrecadação, o governo adiou a apresentação de sua proposta para 31 de março próximo. O problema é que, até lá, vencem parcelas da dívida.  Segundo Montes, Mantega assegurou que o pacote agrícola será anunciado no final de março. O setor também quer uma redução dos juros dessa dívida antiga de 8,75% para 6,75%, taxa que segundo o presidente da Comissão de Agricultura já está sendo praticada no mercado. O deputado, que é da oposição, disse que tem "acalmado" muitos parlamentares da base que teriam esgotado a paciência com o governo.   José Múcio negou que haja pressão dos parlamentares para que o governo aprove a renegociação, em troca do apoio da bancada a projetos de interesse do governo. "Não há nenhum tipo de ameaça e de pressão", assegurou o ministro. Segundo ele o fundamental é o bom entendimento. O ministro reconheceu, porém, que a bancada ruralista é um dos grupos mais "organizados" e "mobilizados" no Congresso Nacional, ao lado da bancada da saúde.   José Múcio chamou esses parlamentares de "grupos temáticos". "Eles estão no papel deles e cabe ao governo ouvir e no que puder, fazer", afirmou. José Múcio negou que a reunião de hoje com a bancada ruralista já seja o resultado da orientação de ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de aproximação dos ministros com o Congresso.   Segundo o ministro, a conversa já estava marcada há algum tempo. O encontro, porém, não estava previsto na agenda do ministro Guido Mantega. Há 15 dias a bancada ruralista também tentou uma reunião com ele que, no entanto, estava de férias. José Múcio destacou que o presidente "não quer mais política" no governo, mas sim que os ministros conversem mais com o governo, para que haja uma interação maior.

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