Bancada ruralista critica critério de escolha de adidos

Parlamentares atacam exigência de que posto seja privativo de servidor

Sônia Filgueiras e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

Parlamentares da oposição fizeram ontem críticas aos critérios para a escolha dos adidos agrícolas que ocuparão postos em oito países ainda este ano. O decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que os escolhidos têm de ser servidores de carreira do Ministério da Agricultura. O deputado e ex-ministro Carlos Melles (DEM-MG), integrante da bancada ruralista e da Comissão de Agricultura da Câmara, criticou a norma que restringe a ocupação do cargo a funcionários públicos. Ele quer também que o Congresso participe da escolha dos nomes.Reportagem do Estado revelou no domingo que os oito adidos serão escolhidos no Ministério da Agricultura, treinados no Itamaraty e receberão salários na faixa de US$ 9 mil e US$ 12 mil (R$ 19,8 mil e R$ 26,4 mil). Eles ocuparão postos em Buenos Aires, Bruxelas, Genebra, Moscou, Pequim, Pretória, Tóquio e Washington."Temo que essa limitação acabe abrindo espaço para escolha de um perfil mais acadêmico. Esse cargo deve ser ocupado por alguém com grande conhecimento técnico e elevada experiência em negociação. Tem de ser um trader, um homem de negócios", defendeu Melles. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, também discorda das restrições: "Esse cargo ser privativo de servidor do Ministério da Agricultura me cheira a corporativismo", disse. Ela informou que pretende conversar com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. "Pretendo verificar se seria possível ampliar isso." Para o presidente da Comissão de Agricultura, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o número de oito adidos agrícolas é insuficiente. "Deveria triplicar", afirmou ontem ao Estado. Lorenzoni quer que a comissão faça sugestões de novos países que possam receber os representantes do Ministério da Agricultura. Mas ele discorda do envolvimento direto do Congresso na definição dos nomes. "O Congresso deve acompanhar as atividades dos adidos. Cabe ao Executivo a escolha dos nomes", ponderou.Melles admite que o trânsito do nome pelo Congresso abre espaço para interferências políticas nas nomeações, mas explica que não é esse o objetivo. "Pode até ocorrer que a bancada do governo tente algo assim, é um risco da democracia. Mas não é o que deseja a bancada ruralista. Nós queremos um especialista, um homem de negócios."

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