Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Bancada 'pop' distribui autógrafos e selfies na Câmara

Seja pela roupa ou pela carreira artística, deputados chamam atenção nos corredores do Congresso

Daniel Carvalho , O Estado de S. Paulo

03 de março de 2015 | 10h39

BRASÍLIA - Não é só da expectativa pela lista de políticos envolvidos na Operação Lava Jato que vive a Câmara dos Deputados. Um grupo de parlamentares novatos vem chamando a atenção de quem circula pelas dependências do Congresso. São figuras que, em razão da vestimenta inusitada ou do passado de artista, estão a toda hora atendendo a pedidos de fotos, selfies e autógrafos nas dependências do Congresso.

Neste primeiro mês de legislatura, Capitão Augusto (PR-SP) é um dos deputados que mais se destacam. As dez fardas que mantém no guarda-roupa garantem que o deputado vá à Câmara uniformizado diariamente, como fez em seus 25 anos na PM de São Paulo. “Nas minhas campanhas, falava que, se um dia ingressasse aqui na Câmara, viria fardado para prestar homenagem aos policiais militares. A Polícia Militar está em êxtase”, diz orgulhoso o PM, ostentando no peito as medalhas que praticamente escondem o pin que os deputados trazem na lapela.

“Achei que haveria rejeição, mas as pessoas elogiam. Espero que não se sintam ofendidos de eu estar representando uma instituição como a Polícia Militar”, afirma Augusto, que acredita não agradar apenas os colegas de esquerda, como os do PSOL. “Alguns nem olham na minha cara”.

O parlamentar é idealizador do Partido Militar Brasileiro, legenda que pretende criar ainda neste semestre. Os projetos de lei que já apresentou nas duas primeiras semanas de trabalho tratam de questões policiais.

Outro que chama a atenção pela indumentária é Luiz Carlos Ramos (PSDC-RJ), que, por razões óbvias, é mais conhecido por seus pares como “Chapéu”. “Nos 22 anos que tenho como político e vereador do Rio de Janeiro, usei chapéu”, diz Ramos. Ganhou o primeiro durante uma campanha em 1992. Este está no seu gabinete. Hoje, são 18. “Porque em festa junina eu acabo doando”.

Na primeira semana, durante uma sessão, ficou preocupado: seu chapéu sumiu. “Levaram meu chapéu e tive que comprar um”, diz o deputado que ainda não apresentou nenhum projeto, mas promete lutar pela regularização de loteamentos e pelo fim da cobrança de estacionamentos de shopping.

Panela Velha. Nenhum membro da bancada folclórica é tão assediado quanto Sérgio Reis (PRB-SP). Apesar de andar sem chapéu e ser chamado de “deputado” em vez de “Serjão”, não tem como passar despercebido com seus quase dois metros de altura.

Políticos, visitantes e até jornalistas não o poupam de pedidos de autógrafos e fotos. “Tem gente que sai do Senado só para me ver”, afirma. E, claro, quem chega até ele pede uma palhinha. Chamou a atenção quando uma prefeita de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul estava com a mãe no plenário e pediu que o deputado-cantor entoasse “Panela Velha”.

Nos fins de semana mantém a agenda de shows. “O que ganho aqui é nada. Não pago nem o meu dentista. O que ganho aqui em um mês, ganho em um único show. Aliás, ganho mais”, afirma o cantor, cujo salário na Casa é R$ 33,8 mil.

O cantor disse ter se surpreendido com o ritmo do Congresso. “Dizem que aqui só tem bandido, só tem ladrão, deputados vagabundos. Aqui se trabalha muito”, afirma, enquanto um assessor pede para tirar uma foto.

Reis diz seguir as orientações do líder de seu partido, Celso Russomano (PRB-SP). Só assina requerimentos se ele já tiver assinado. “Mas a CPI da Petrobrás eu assinei por decisão pessoal. Já passaram dos limites”, diz o deputado, favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Reis não apresentou nenhum projeto até agora, mas quer mudar regras para tirar a carteira de motorista e para a aposentadoria.

Já experiente na vida dupla de deputado-celebridade, o humorista Tiririca (PR-SP) não esconde a satisfação de trabalhar agora com Sérgio Reis, a ponto de cantar “Coração de Papel”, um dos sucessos do músico sertanejo, durante uma recente entrevista.

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