Bancada paulista do PT resiste a Ciro

Deputados estaduais fecham posição em favor da candidatura própria da legenda ao Palácio dos Bandeirantes

Clarissa Oliveira, Elder Ogliari e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

Em meio à crise que se abriu no PT paulista, a bancada do partido na Assembleia Legislativa engrossou ontem o coro contra a possibilidade de apoio a uma eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo estadual. Reunidos na manhã de ontem, os deputados fecharam posição em favor da candidatura própria do PT ao Palácio dos Bandeirantes. A decisão dá caráter formal às reações que surgiram no partido nos últimos dias. "Constrange um pouco o PT a ideia de importar um candidato para uma eleição tão importante", afirmou o deputado estadual Simão Pedro, ex-líder do PT na Assembleia. Segundo o deputado Roberto Felício, petistas já planejam elaborar um novo documento em defesa da candidatura própria, para se somar a uma resolução aprovada pelo Diretório Estadual em abril. "Já me comprometi a assinar." Para manifestar a posição, a bancada escolheu o momento em que se reunia com o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, que já anunciou sua pré-candidatura.Favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) esquivou-se de comentar ontem a possível candidatura de Ciro. "Os nomes ventilados são bons, mas ainda é muito cedo para falar nisso, falta mais de um ano para a eleição", disse, num seminário em São Paulo. Já Ciro aproveitou uma visita a Porto Alegre para classificar como "fofoca" a possibilidade de sair candidato no Estado. Mesmo assim, não fechou as portas para a proposta. O parlamentar se disse "obrigado a pensar num assunto que jamais esteve em cogitação". Para explicar o lado "fofoca" da questão, afirmou que a possibilidade é ventilada por um grupo, que não identificou, "claramente interessado" em tirá-lo do caminho. Sobre o fato de pensar no assunto, disse que há pessoas que, de boa-fé, acreditam que sua candidatura ofereceria uma alternativa a um projeto que "cansou". Ciro citou como integrantes desse grupo o presidente do PSB paulista, Márcio França, e os deputados Aldo Rebelo (PC do B), Paulo Pereira da Silva (PDT) e Cândido Vaccarezza (PT). Indagado sobre a possibilidade de ser convencido, emendou: "Quando eu penso, sempre posso ser convencido, depende do mérito da ideia, mas estou falando em tese". Sobre a sucessão nacional, Ciro foi bem menos evasivo. Sustentou que deve concorrer à Presidência em 2010 como aliado de Lula. Segundo ele, no quadro atual, a tendência é que as forças favoráveis a Lula percam a eleição. Para reverter a situação, acredita, há necessidade de duas candidaturas do mesmo campo.

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