Bancada do PFL está dividida em relação à CPMF

A bancada do PFL na Câmara está dividida, e a tendência no partido é adiar novamente a votação do segundo turno da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 31 de dezembro de 2004.Apesar do empenho do presidente do PFL, o senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), em tentar convencer os deputados a votar na próxima quarta-feira, os pefelistas estão irritados com o tratamento do governo ao partido e à governadora do Maranhão e pré-candidata do partido à Presidência da República, Roseana Sarney.O clima de descontentamento no PFL também cresceu depois que o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que teria sido eleito sem o PFL. Nesta terça-feira à tarde, o PFL reúne sua bancada na Câmara para decidir se o partido apoia a votação da prorrogação da contribuição nesta quarta ou se defende o adiamento para a semana que vem.?Vamos ser independentes, mas sem ser irresponsáveis, apesar de existir um grupo dentro do PFL que quer deixar para votar a CPMF somente na semana que vem?, disse o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), que agora defende a aprovação da contribuição nesta quarta, pelo plenário da Câmara.Na semana passada, Aleluia fazia parte do grupo pefelista que estava reticente em relação à votação da CPMF. Mas o grupo dentro do PFL que resiste a votar nesta semana a emenda ganhou força. ?O PFL já votou a favor da CPMF no primeiro turno e, portanto, irá votar a favor no segundo turno, mas temos que analisar qual o melhor momento para isso ocorrer?, afirmou o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), filho do prefeito do Rio, Cesar Maia.E argumentou que os cofres públicos não terão queda na arrecadação, uma vez que nesta segunda-feira o governo anunciou uma elevação de 20% em sua arrecadação neste ano. ?O PFL vai fazer uma revisão de suas prioridades, e a CPMF será votada no momento adequado?, disse o vice-líder do partido na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM).Um dos sinais de que o PFL pode decidir por um novo adiamento na votação da CPMF é a ausência do presidente Jorge Bornhausen na reunião desta terça da bancada do partido na Câmara. Bornhausen tem se empenhado pessoalmente em convencer a bancada pefelista a votar a favor da contribuição. Também tem defendido o voto favorável do PFL à CPMF.?Aqueles que votaram no primeiro turno a favor da CPMF devem ser coerentes e votar no segundo turno?, disse Bornhausen, ao anunciar que não poderia ir à reunião da bancada da Câmara porque precisava estar nesta terça em São Luís para conversar com a governadora Roseana Sarney.O clima desta segunda no PFL era de incerteza e divisão em relação à CPMF. Na avaliação de alguns pefelistas, a crise instaurada com a devassa feita pela Polícia Federal na empresa Lunus Serviços de Participações de propriedade de Roseana Sarney, e de seu marido, Jorge Murad, estava contornada e os ânimos mais calmos.Além disso, os pefelistas estariam preocupados com os reflexos negativos de novo adiamento da votação da emenda no mercado. Na semana passada, quando o partido decidiu não votar a CPMF, o mercado ficou nervoso, registrando uma subida na cotação do dólar e queda na Bolsa de Valores.Mas para outro grupo pefelista, o clima era de recrudescimento. Circulavam informações no partido de que o governo teria vazado com antecedência para a imprensa a ação da Polícia Federal na empresa do candidata do PFL. Essa facção também passou a defender o adiamento da votação da CPMF, depois que o ex-presidente e senador José Sarney, pai de Roseana, foi convencido a adiar para próxima semana o discurso que faria da tribuna do Senado. ?Houve uma decisão política para adiar esse discurso, então também pode haver outra decisão política para adiar a votação da CPMF?, disse Rodrigo Maia.Caso o PFL se decida nesta terça por um novo adiamento na votação da CPMF, a arrecadação do governo deve sofrer um decréscimo significativo. Pelos cálculos do governo, mesmo que a CPMF seja aprovada na Câmara na próxima quarta, a contribuição ficará sem vigorar entre 10 e 15 dias, o que acarretará um prejuízo entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão na arrecadação da União.Para que o governo não ficasse um dia sequer sem a CPMF, a emenda precisaria estar totalmente aprovada até o dia 18 de março, o que é impossível. Nesta terça à noite, a Comissão Especial da Câmara deve votar a redação do texto da emenda da CPMF, já aprovado em primeiro turno, com algumas emendas de redação.O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) já avisou que vai apresentar uma emenda de redação, solicitando a supressão do dispositivo que trata da alíquota de 0,08% da CPMF que irá vigorar em 2004. ?Esses 0,08% não existiam na proposta original e só puseram isso para agradar ao PT?, argumentou o deputado.A emenda de Faria de Sá deve ser derrubada na Comissão, não alterando o mérito da proposta. Assim que for aprovada pela Comissão Especial, a redação final precisa ser votada pelo plenário da Câmara. Depois, a CPMF tem que ser votada em segundo turno pelos deputados para, então, seguir para o Senado.

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