Bancada do PDT está rachada sobre decisão da CSS

Cada um dos 5 pedetistas do Senado vive um dilema sobre que posição tomar no projeto que cria novo imposto

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo,

29 de maio de 2008 | 21h10

A bancada de cinco senadores do PDT está dividida em cinco. Seja por questões políticas regionais, por motivação eleitoral, familiar ou pessoal, que vão de uma candidatura a prefeito de capital à indicação para um cargo em Paris, cada pedetista do Senado vive um dilema particular sobre a posição a tomar no caso do projeto que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS) chegar à Casa. Não há unidade para se fechar uma posição conjunta.   Veja Também:  Entenda o que é a CSS Entenda a Emenda 29  Entenda a cobrança da CPMF    Sabendo que o partido reúne força numérica para decidir o destino do governo em votações polêmicas como a da nova CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começou a caça aos votos dos pedetistas para aprovar no Senado a CSS, que a Câmara vota na semana que vem. Na costura, Lula ofertou uma carona ao senador João Durval (PDT-BA) de Salvador a Brasília há cerca de duas semanas e aproveitou a intimidade do avião presidencial para pedir o voto do baiano.   Lula foi direto na abordagem. Segundo relato do próprio Durval a um senador, o presidente disse que, sem a CSS, não terá dinheiro para bancar a chamada Emenda 29, que aumenta recursos para a saúde. O apelo balançou Durval, mas ele disse a um colega que ainda vai pensar no fazer. "Ou votarei a favor, ou não venho votar. Acho que acabo não vindo porque tenho dois filhos candidatos a prefeito". João Henrique (PMDB-BA) quer se reeleger prefeito de Salvador e Sérgio Carneiro (PT-BA) vai disputar a prefeitura de Feira de Santana.   Tudo o que os candidatos a prefeito da base governista não querem é ter Lula trabalhando contra eles na disputa municipal. Que o diga a senadora Patrícia Sabóia (PDT-CE), de olho na prefeitura de Fortaleza. Seu drama é que atender o presidente e aprovar a CSS também pode tirar votos. "Já foi um sacrifício para a gente votar a prorrogação. Recriar a CPMF agora seria abandonar minha candidatura", ponderou Patrícia ao líder do PDT, Osmar Dias (PR).   Dilema maior é o do senador Christovam Buarque (PDT-DF), que gostaria de vetar o novo imposto, mas adotou o discurso em defesa de um "exame detalhado" das contas públicas, para checar a necessidade de mais recursos para a saúde, via CSS. O que mais o preocupa é garantir o apoio de Lula para ser indicado presidente da Unesco logo após as eleições. Se ganhar o cargo, ele renuncia ao mandato e se muda para Paris.   Para evitar que o racha interno seja resolvido por um golpe de força da executiva nacional, o novo líder também já se movimentou. Com a morte do senador Jefferson Peres (AM) no dia 23, Dias assumiu a liderança da bancada e já procurou o presidente nacional do partido e ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT). Como o ministro comanda com mãos de ferro a executiva nacional do partido, Dias apelou para que a direção partidária não entre na polêmica da nova CPMF.   "O Lupi me disse que, desta vez, a executiva não vai se reunir para tratar deste assunto", conta o líder. Quando o Senado derrubou a prorrogação da CPMF, em dezembro do ano passado, o Planalto contou com a valiosa contribuição de Lupi, a executiva fechou questão em favor do governo, mas não deve repetir o feito agora.   "Desta vez não há hipótese de eu votar a favor. Que me expulsem do partido", desafia o líder. Ele aguarda ansioso a chegada do suplente de Peres a Brasília, na semana que vem. A meta de Dias é convencer o estreante Jéferson Praia (AM) de que a melhor saída é seguir a trilha de Peres e rejeitar a CSS.

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