Bancada do MDB dissolve diretório mineiro do partido

Manobra abre caminho para a desistência de uma candidatura própria e abertura de negociação com outros partidos nas eleições 2018

Jonathas Cotrim e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 18h41
Atualizado 17 de julho de 2018 | 11h54

Com aval do senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do MDB, deputados federais e estaduais de Minas Gerais dissolveram nesta segunda-feira, 16, a direção do diretório estadual do partido e retiraram do cargo o vice-governador e pré-candidato ao governo mineiro, Antônio Andrade. A manobra abriu caminho para os emedebistas desistirem de uma candidatura própria a governador, o que em Minas beneficia o governador Fernando Pimentel (PT) e, em nível nacional, prejudica os planos do presidenciável emedebista Henrique Meirelles, de ter um palanque próprio no Estado.

De acordo com os parlamentares, o estatuto do partido prevê a dissolução do comando do partido caso mais da metade do diretório peça renúncia. Na quinta-feira, 12, foi entregue a Jucá um documento em que 55 dos 87 membros do diretório renunciaram. Ao dissolver a direção, Jucá designou o deputado José Saraiva Felipe como presidente interino, além de uma comissão provisória.

Por meio de nota, a diretoria estadual do MDB afirmou que não recebeu pedido de renúncia de qualquer membro do diretório e chama de “fraude” a manobra, já que não existiria no estatuto do diretório a previsão de dissolver a presidência. “Estes Parlamentares estão interessados em uma nova aliança com o PT e não respeitam o desejo da maioria”, diz o texto. Andrade afirmou que não foi notificado oficialmente e que irá recorrer da decisão na Justiça.

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Em carta, os parlamentares do MDB justificaram a dissolução alegando que Andrade “não busca construir um cenário eleitoral que, além de competitivo nas eleições majoritárias, possa viabilizar a eleição de expressivas bancadas”.

Segundo o novo presidente do MDB mineiro, Saraiva Felipe, o principal objetivo da legenda no Estado este ano é eleger uma grande bancada de deputados estaduais e federais. Para isso, o partido vai abrir negociação com tanto com Pimentel quanto com o senador Antonio Anastasia, pré-candidato do PSDB  ao governo. “Não tínhamos diálogo com ninguém. Estamos lutando para sobreviver. Vou conversar com todos os partidos. Vamos dialogar com todo mundo. Não excluímos ninguém: PSDB, DEM e PT”, disse Saraiva Felipe ao Estado.

Aliança

 A manobra favorece o grupo do MDB que já foi próximo do governador Fernando Pimentel (PT), adversário político do vice-governador. Desde que o processo de impeachment foi instaurado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes (MDB), a relação entre emedebistas e petistas ficou estremecida.

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Uma fonte ligada à campanha à reeleição de Pimentel, no entanto, declarou que as relações entre as duas legendas não foram rompidas por completo e que a expectativa dos petistas é de contar com o MDB para o segundo turno das eleições para o governo de Minas Gerais.

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Lopes, que diz manter seu nome como pré-candidato ao governo, afirmou que a nova composição do diretório permite maior diálogo. “Quem quiser apoiar nossa proposta, por entender que ela é a melhor para Minas, pode se alinhar com a gente. Mas a direção quem dará será sempre é o MDB”, declarou. /COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO e JULIA LINDNER

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