Bancada de Yeda esvazia CPI contra ela

Oposição, porém, ouve áudios da PF e sessão na Assembleia é tensa

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

Pela terceira vez consecutiva, a bancada de apoio à governadora Yeda Crusius (PSDB) esvaziou ontem uma sessão da CPI que investiga supostos atos de corrupção praticados por agentes públicos no Rio Grande do Sul.

Mesmo assim, a tarde foi tensa e tumultuada na Assembleia Legislativa gaúcha. Enquanto os quatro deputados da oposição ouviam áudios de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Rodin, investigação que apontou desvios de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em 2007, oito parlamentares da base aliada davam uma entrevista coletiva em uma sala próxima para reiterar entendimento de que as gravações não têm valor jurídico por não terem sido requisitadas à Justiça em nome da CPI.

"São documentos requisitados pela deputada Stela Farias, em nome dela, não pelo plenário da CPI", justificou o relator Coffy Rodrigues (PSDB). Stela é filiada ao PT.

Durante a entrevista, cerca de 15 manifestantes ligados ao Fórum de Servidores Públicos Estaduais - entidade que pediu o impeachment de Yeda, processo aberto na semana passada - entrou na sala e desafiou os deputados a irem à sessão na qual havia fatos sendo esclarecidos.

A maioria das gravações divulgadas ontem já havia aparecido na imprensa e na ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra Yeda e outros oito réus por suposto envolvimento em irregularidades no Detran. Parte delas revela diálogos entre Antônio Dorneu Maciel, ligado ao PP e tido como um dos operadores da fraude, nos quais são citados encontros e números que o Ministério Público interpretou como linguagem cifrada para propina.

Entre os interlocutores estão o deputado estadual Luiz Fernando Zachia (PMDB) e o deputado federal José Otávio Germano (PP). O primeiro sustenta que tratava de assuntos políticos. O segundo, que os números eram uma senha para que pudesse votar numa eleição de seu time de futebol, o Grêmio.

FOGO

Pela manhã, Yeda passou por um susto e quase se queimou ao abrir oficialmente a Semana Farroupilha.

No momento em que a governadora acendeu a chamada chama crioula - que homenageia os combatentes do conflito que opôs republicanos gaúchos ao governo imperial do Brasil, entre 1835 e 1845 -, uma labareda se ergueu e quase a atingiu. Ninguém saiu ferido.

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