''Bancada da latinha'' dá expediente duplo

Deputados dividem tempo entre atuação parlamentar e programas de rádio

O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

Eles são conhecidos no Congresso como a "bancada da latinha", em uma referência ao microfone usado nas transmissões de rádio. São os deputados radialistas, que dividem o trabalho na Câmara com a tarefa de ancorar programas ao vivo, de até duas horas diárias, transmitidos em seus Estados. Estrelas desse seleto grupo, os novatos Carlos Roberto Massa Júnior (PSC-PR), o Ratinho Júnior, e Barbosa Neto (PDT-PR) e o veterano Waldimir Costa (PMDB-PA) cumprem uma rotina em Brasília que, às vezes, começa de madrugada, quando se preparam para entrar no ar com seus programas. Hoje, isso só é possível graças à tecnologia. Afinal, radialista que se preze tem em sua casa em Brasília, local onde ficam de terça à quinta-feira, uma sofisticada aparelhagem - o tie line -, que lhes permite fazer os programas como se estivessem em seus Estados. Tal requinte tecnológico, no entanto, é para poucos: o equipamento com todos os acessórios não sai por menos de R$ 28 mil. "Vira e mexe dá confusão na porta da rádio de gente querendo falar comigo e não acreditando que não estou lá. O som desse aparelho é estéreo e é até melhor do que o do estúdio", conta Barbosa Neto. Aos 42 anos, o deputado faz um programa de variedades, de segunda-feira a sábado, das 8h00 às 10h00, que dá desde receitas de bolo às últimas fofocas das novelas. "Só falo de política no programa quando alguém fala mal de mim", diz Barbosa Neto.Apesar de negar o uso político de seus programas, a "turma da latinha" é unânime ao admitir que a visibilidade da profissão ajudou e muito na eleição para a Câmara. "O rádio populariza você. Mas não é sinônimo de eleição garantida", observa Ratinho Júnior, um dos 32 deputados que conseguiram se eleger com "votos próprios" em 2006, sem depender das coligações de seu partido. Filho do apresentador Ratinho, o deputado tem um programa diário, das 7h00 às 8h00, que mistura notícias com fofocas. "É um programa popular", resume o radialista, de 27 anos, dono de sua própria rádio, que alcança 57 municípios paranaenses. Há 15 anos no ar com o programa Comando Geral, Wladimir Costa é outro que conquistou uma votação recorde no Pará graças ao rádio e à televisão. "É claro que ajuda eu ser radialista. Tanto que sou um dos mais votados do País", afirma. Ele define seu programa como "uma mistura de reportagens com denúncias e espaço para crítica". "Não trabalho com assistencialismo até porque isso pode trazer problemas jurídicos", diz Costa. Com menos estrutura em Brasília, Beto Mansur (PP-SP) e Carlos Willian (PTC-MG) também usam o rádio para cacifar seus mandatos. "Sou radialista antes de ser político", diz Mansur, cuja família é dona de TV e rádio em Santos. Seu programa, O povo quer saber, limita-se a inserções diárias de três minutos, em que procura solucionar problemas de ouvintes. "Meu programa não é assistencialista. É mais de informação", garante Mansur.Willian faz o Direito do Cidadão, em que responde há seis anos a dúvidas jurídicas dos ouvintes e dá conselhos.

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