Balão de milionário dos EUA faz pouso forçado no Brasil

O milionário norte-americano Steve Fossett, de 57 anos, que pretendia dar a volta ao mundo sozinho em uma balão, foi obrigado a fazer hoje uma aterrissagem forçada em uma propriedade rural entre Bagé e Aceguá, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. A interrupção da aventura foi motivada por problemas com oxigênio e pelas fortes tempestades que atingiam o Atlântico Sul.O balonista tentava desde quinta-feira encontrar uma rota de vôo segura, mas acabou desistindo da jornada iniciada há 13 dias na Austrália. O balão Solo Spirit caiu em uma área de campo, desprendeu-se da cápsula, e foi arrastado pelo vento por mais de mil metros, derrubando cercas, até seus cilindros de gás prenderem-se a uma barreira de eucaliptos.O milionário não sofreu ferimentos e foi socorrido pelos funcionários da Estância Banhado. ?Tinha vários espaços abertos, o que é muito bom para pousar. Isso foi uma sorte, pois é um balão muito grande?, afirmou depois da queda. ?Já tive algumas dessas aterrissagens antes. Na Índia e na Rússia.? Surpresa com o objeto prateado que caiu do céu, a cozinheira Cristina Domingues foi a primeira a encontrar o balonista, mas não conseguiu se comunicar com ele em inglês. Fossett só ficou sabendo exatamente onde estava depois do contato com jornalistas. Sua equipe de apoio nos Estados Unidos deve chegar neste domingo ao Brasil para resgatar o balão.Ele vai passar a noite em Bagé, a 380 quilômetros de Porto Alegre. ?Os últimos dias foram muito exaustivos, mas isso é normal quando um balonista faz uma viagem dessas sozinho?, disse o milionário, enquanto almoçava uma carne assada preparada por Cristina.Fossett partiu da Austrália no dia 4 de agosto a bordo de seu balão Solo Spirit, de 43 metros de altura por 18 metros de largura, instalado em uma pequena cabine não-pressurizada. Seu objetivo era encerrar o trajeto em 15 dias, mas a baixa velocidade desenvolvida durante a travessia do Oceano Pacífico exigiu uma mudança de cronograma. As correntes de ar também obrigaram o balonista a desviar sua rota para o sul do Brasil. Na tarde de quinta-feira ele cruzava a província argentina do Chaco, quando foi avisado pela equipe da Washington University que monitorava seu vôo de que uma tempestade se aproximava da região de fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai. ?Chega um ponto em que até para padrões de balonista de volta ao mundo os riscos parecem muito altos?, disse o diretor da missão, Joe Ritchie.Esta foi a sexta vez que o milionário tentou fazer a viagem ao redor do mundo. ?É muito difícil dizer agora se eu tentarei mais uma vez?, afirmou. ?Esta não foi uma viagem muito bem sucedida.? Na quarta-feira, ele havia superado as 243 horas e 28 minutos de vôo, batendo o recorde estabelecido em 13 de março de 2000 por Kevin Uliassi.

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