Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Balanço informal aponta ao menos 35 dos 65 integrantes da Comissão Especial pró-impeachment

Levantamento se baseia em declarações públicas dos membros do colegiado e conversas, em reservado, com os líderes partidários responsáveis pelas indicações dos parlamentares eleitos

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2016 | 20h32

BRASÍLIA - A maioria dos integrantes da Comissão Especial do impeachment na Câmara dos Deputados eleita na tarde desta quinta-feira, 17, é a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff. É o que aponta balanço informal feito hoje pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Agência Estado, com base em declarações públicas dos membros do colegiado e conversas, em reservado, com os líderes partidários responsáveis pelas indicações dos parlamentares eleitos.

Pelo menos 35 dos 65 integrantes da comissão especial já se declararam a favor do impeachment ou são apontados pelos líderes de seus partidos como favoráveis ao impedimento da presidente Dilma. O número leva em conta tanto deputados da oposição, quanto da base e de legendas que se consideram independentes na Casa. O único partido que a reportagem não conseguiu contabilizar foi o PEN, pois o deputado não foi encontrado.

Desses 35 deputados, 12 são dos principais partidos da oposição, em que todos os membros votarão a favor do impeachment: DEM (3), PSDB (6), PPS (1) e Solidariedade (2). Outros 11 são de partidos ocupam cargos nos ministérios, como PMDB, PP, PTB, PR e PSD. Há ainda outros 12 votos de partidos de posição independente, como PSB (4), PRB (2), PSC (2), PROS (2), PHS (1) e e PV (1).

No PMDB, que está à frente de sete ministérios, por exemplo, pelo menos quatro dos oito representantes na comissão especial já se declararam abertamente a favor do impedimento: Lúcio Vieira Lima (BA), Osmar Terra (RS) e Mauro Mariani (SC). Já no PP, que tem o Ministério da Integração Nacional, ao menos dois dos cinco membros da comissão já anunciaram ser pró-impeachment: Jerônimo Goergen (RS) e Júlio Lopes (RJ).

No PTB, parlamentares do partido ouvidos apontam que Benito Gama (BA) e Luiz Carlos Busato (RS) são favoráveis ao impeachment. Provável relator da Comissão Especial, o líder da sigla, Jovair Arantes (GO), diz oficialmente não ter se definido, embora, nos bastidores, seus aliados afirmem que ele é pró-impeachment. Arantes é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto político do governo.

No PSD, que está à frente do Ministério das Cidades, pelo menos dois dos quatro integrantes já são apontados como favoráveis ao impedimento da presidente da República: Júlio César (PI) e Marcos Montes (MG). Já no PR, que possui o Ministério dos Transportes, pelo menos um dos quatro membros já admitiu, nos bastidores, que votará a favor do impeachment: o deputado Edio Lopes (RR).

Líderes partidários afirmam que a posição de seus indicados poderá mudar ao longo da tramitação do processo de impeachment. Diante da piora do cenário político e do possível desembarque do PMDB da base aliada, a maioria dos líderes vê tendência de o número de integrantes da comissão favoráveis ao impedimento de Dilma aumentar.

Líderes da oposição já calculam que esse número pode chegar a 39 deputados. O governo, contudo, rebate a informação. Segundo interlocutores do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o Planalto contabiliza 34 votos a favor da presidente e 31 pelo impeachment na Comissão Especial que dará o parecer. 

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