Balanço do PAC deve apontar mais agilidade nas obras

Segundo técnicos do governo, projetos das usinas hidrelétricas do Madeira farão a diferença no documento

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2008 | 19h34

As primeiras análises do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), encomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicam que está mais ágil o andamento das obras de infra-estrutura, informaram à Agência Estado técnicos do governo envolvidos no trabalho.   Os projetos de construção das usinas hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia, farão a diferença, no balanço que será apresentado na reunião ministerial da próxima quarta-feira  em relação aos levantamentos feitos em maio e setembro do ano passado. "No geral, está muito bom", disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a pessoas próximas.   Nos dois balanços anteriores, os projetos das usinas de Santo Antônio e Jirau, nos trechos de cachoeira do Madeira, foram classificados por Dilma com o selo "vermelho", isto é, de difícil execução. Agora a situação é outra. O leilão de concessão de Santo Antônio, usina que vai gerar 3.150 MW, ocorreu em dezembro. No caso de Jirau, de 3.300 MW, o leilão será realizado em maio. A construção das duas usinas, que podem gerar metade da energia produzida por Itaipu, está orçada inicialmente em R$ 14,4 bilhões.   A avaliação positiva de Dilma, ministra reconhecida por colegas de governo e assessores pelo grau de exigência, animou o Palácio do Planalto, especialmente num momento em que o governo trava briga com a oposição sobre a questão da energia, segundo altos funcionários do Palácio do Planalto.    A produção da usina de Santo Antônio deve começar em 2012, mas o andamento da obra é considerado pelo governo uma resposta política à oposição. De acordo com assessores, o discurso de Lula em relação à questão energética começa a ficar pronto: ele insistirá na afirmação de que seu sucessor não herdará um quadro como o deixado pelo governo do PSDB, com obras de usinas hidrelétricas paradas.   O terceiro balanço do PAC também será, na avaliação de interlocutores da ministra da Casa Civil, uma possibilidade de Dilma responder a setores que estariam tentando miná-la politicamente. Em audiência na semana passada com o presidente, Dilma foi enfática ao assegurar a Lula que não haverá racionamento de energia em 2008.   O presidente recomendou que o balanço do PAC esteja pronto antes da reunião com os 37 ministros marcada para a próxima quarta-feira. Ministros e assessores ainda não definiram o formato do encontro nem a forma de apresentação do balanço, considerado uma prioridade. Foi por causa do balanço que a reunião, anteriormente marcada para segunda-feira, passou para o dia 23.   Neste final de semana, técnicos da Casa Civil trabalharão no levantamento dos números gerais do balanço. Por enquanto, a ministra Dilma Rousseff evita comentar se o porcentual de obras com selo "verde" (ritmo de andamento adequado) aumentou de setembro para cá, ou não. Naquele mês, 79,9% das obras tinham selo "verde", 10,4% "amarelo" (cronograma em dia, mas com algum tipo de preocupação e 9,7% "vermelho" (difícil execução).

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