Baixa popularidade e caos econômico pressionam Maduro

CENÁRIO: Felipe Corazza

O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2015 | 02h01

Desde que foi eleito, em abril de 2013, para suceder a Hugo Chávez, Nicolás Maduro viu uma espiral de deterioração da economia derrubar sua popularidade. Escolhido por 50,6% dos eleitores um mês após a morte do mentor político, o atual presidente da Venezuela teve uma amostra quase imediata das dificuldades trazidas pela vitória por margem estreita sobre o opositor Henrique Capriles. Protestos questionando a lisura do processo e exigindo uma recontagem dos votos começaram na segunda-feira após a votação e terminaram com um saldo de 7 mortos - todos chavistas.

Desde então, a economia retraiu mais e o câmbio paralelo, que rondava a casa dos 80 bolívares por dólar na época da eleição, disparou aos atuais 420. O câmbio oficial tem três bandas, sendo a mais baixa 6,8 e a mais alta, cerca de 150.

A situação tornou-se pior com a queda no preço internacional do petróleo, produto que representa 96% das receitas em dólar do país. Com a escassez crescente da moeda americana, a já combalida indústria entrou em ritmo de paralisia, culpando o governo por não autorizar a compra dos dólares que serviriam para importar insumos.

Os bens essenciais passaram a escassear nos supermercados, levando à criação de um sistema de racionamento de itens básicos. Além da queda na produção, o tabelamento produziu um lucrativo mercado paralelo de produtos como fraldas e papel higiênico.

Nesse cenário, a popularidade de Maduro caiu a 22%, divulgou ontem o instituto Datanálisis. O chavismo tem pela frente uma eleição parlamentar - a ser marcada no segundo semestre. O risco real de perder a frágil maioria na Assembleia Nacional levou Maduro e seu principal aliado, Diosdado Cabello, a subirem o tom em acusações contra a oposição, a imprensa e os Estados Unidos. Buscando reconquistar uma base popular insatisfeita com a situação de crescente miséria e violência, o chavismo tenta evitar que suas atuais cartadas sejam, na verdade, as últimas.

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