Babá diz que críticas dos radicais vão continuar

Os ataques dos radicais do PT à política econômica e à proposta de reforma da Previdência do governo Federal não serão amenizados por causa de retaliações internas, que culminaram ontem com a suspensão dos deputados João Fontes (PT-SE) e Luciana Genro (PT-RS), garantiu hoje o deputado João Batista Oliveira de Araújo, o Babá, uma das principais vozes da ala radical partido. "Eu fui contra o afastamento porque, na verdade, os deputados apresentaram a fita como uma prova em nossa defesa e não como um ataque ao presidente Lula", disse Babá, referindo-se ao pivô da suspensão, uma fita de vídeo gravada em 1987, na qual Lula critica a reforma da Previdência proposta pelo então presidente José Sarney. Babá disse que "ficou surpreso" com a interpretação da maioria da bancada. "A fita foi apresentada para mostrar que nós estamos defendendo posições históricas do PT e que quem mudou foi o governo", afirmou ele. "Estas posições são a história do PT e nós não podemos apagar a história", complementou o deputado.De acordo com o deputado, Lula e o atual ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, criticaram ainda no ano passado a contribuição dos inativos e o aumento da idade para aposentadoria. "Estas propostas não foram aprovadas em nenhuma instância do PT, não foram decididas nem na bancada do PT. Foram formuladas a partir de sugestões que vieram do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, onde se encontram representantes de 9 dos maiores devedores da Previdência", acusou Babá. Babá garantiu que os radicais do PT estão recebendo "forte apoio popular" e, por isso, ele acredita que o partido deverá rever a posição de retaliar os dissidentes. "Fomos eleitos com críticas ferozes ao governo de Fernando Henrique Cardoso e a política econômica adotada pelo PT no governo nada mais é que a continuação do governo anterior", disse ele. "É querem nos impor isso como se fosse posição fechada dentro do PT, mas não é", finalizou o deputado.

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