Ayres Britto condena ''incontinência verbal''

Presidente do TSE diz que ?excesso de linguagem? nos debates é ?desrespeito ao telespectador? e devem servir para expor idéias

Mariângela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, condenou ontem a "incontinência verbal" nos debates durante o segundo turno da eleição. "O excesso de linguagem é condenável. É um desrespeito ao opositor, ao próprio ouvinte e ao telespectador." Mais informações sobre as eleiçõesPara ele, os debates devem servir para que os candidatos exponham suas idéias, falem sobre suas biografias e seus planos de governo e as políticas públicas que pretendem adotar. "Fora disso é excesso e merece reprovação", disse. O presidente do TSE afirmou que eventuais abusos podem ser informados à Justiça Eleitoral, a quem caberá resolver os casos.No debate realizado no domingo em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a candidata Marta Suplicy (PT) trocaram acusações e falaram pouco sobre propostas. No Rio, o clima não foi muito diferente. Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB) provocaram um ao outro.Apesar dos excessos nos debates, Ayres Britto disse que a eleição de domingo deverá ser muito tranqüila e o resultado poderá ser conhecido por volta das 20 horas. Ele acredita que os eleitores estão mais interessados no segundo turno."Há um interesse maior pelo segundo turno das eleições. Pelo menos estamos sentindo isso. Os principais colégios eleitorais do País vão para o segundo turno, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador. Veja que os locais de maior densidade eleitoral estão para se definir agora com relação à escolha de prefeitos e vice-prefeitos", comentou o presidente do TSE, que ontem se reuniu com os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de 15 Estados onde haverá segundo turno.FALTOSOSOs eleitores que faltaram na eleição no primeiro turno poderão votar no segundo. A Justiça Eleitoral considera que os turnos são independentes e a falta no primeiro não compromete a votação no segundo.Para votar, os eleitores devem ir ao local de votação e apresentar título ou documento de identificação com foto. Apesar de poder votar no domingo, quem não compareceu no primeiro turno continuará tendo de justificar a ausência. O prazo para justificativa é de 60 dias.Quem não votar nem justificar a ausência no prazo tem de pagar multa, que será determinada pela Justiça Eleitoral. Se o eleitor não votar, não justificar e não pagar a multa, poderá ser impedido de participar de concurso público e licitação, tirar passaporte e carteira de identidade e conseguir empréstimos em estabelecimentos mantidos pelo governo.Conforme o TSE, 27.166.643 eleitores de 30 municípios estão aptos a votar no domingo. No segundo turno serão usadas 77 mil urnas eletrônicas.Além dos 30 municípios com mais de 200 mil eleitores onde a eleição não foi definida no primeiro turno, vai haver votação na cidade de Benedito Leite (MA). A votação naquele município foi anulada depois que urnas eletrônicas foram queimadas.

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