Aviões serão feitos na França

Proposta da Dassault não prevê montagem no Brasil

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Dos 36 caças Rafale que deverão ser adquiridos da fabricante aeronáutica francesa Dassault pelo Ministério da Defesa, nenhum deverá ser produzido no Brasil. Os seis primeiros deverão ser montados na França e com peças francesas. Os 30 seguintes sairão das mesmas linhas de montagem, mas incorporarão peças brasileiras.

Esse plano de produção foi apresentado ao governo brasileiro pela Dassault e servirá de base para a negociação que será aberta para a compra dos primeiros 36 aviões, a serem construídos na usina da companhia em Mérignac, no sudoeste da França, e entregues a partir de 2012 ou 2013 ao Brasil. Só partir de um hipotético 37º avião, segundo o Estado apurou, seria realizada a transferência das linhas de montagem.

Na prática, o primeiro contrato de cerca de ? 4 bilhões - cujo custo pode variar para cima ou para baixo, de acordo com o pacote tecnológico escolhido pelo Ministério da Defesa - não deverá incluir a construção local de nenhuma das aeronaves. Só após, caso seja tomada a decisão de substituir outros 120 caças da FAB, os equipamentos seriam de fato franco-brasileiros. Então a subsidiária brasileira seria autorizada a exportar os Rafale para outros países da América Latina. Nesse caso, o Brasil seria transformado em uma plataforma de negócios da França no continente.

Essa proposta faz parte da proposta preliminar entregue pela Dassault ao Ministério da Defesa, a partir da qual os concorrentes da licitação FX-2 - a norte-americana Boeing e a sueca Saab - foram eliminados. "Ainda é muito cedo para confirmar que estes números serão os definitivos, já que agora é que vamos aprofundar as negociações", ponderou Yves Robins, diretor de Relações Exteriores da Dassault em Paris. "É correto afirmar que estes números integram uma proposta prévia, digamos, que será negociada daqui para a frente."

Especialista em indústria bélica, Helène Masson, pesquisadora da Fundação para a Pesquisa Estratégica, de Paris, lembra que peças fabricadas na França ou no Brasil determinarão o lucro da Dassault. "Quanto mais equipamentos forem construídos no Brasil, menor será sua margem de lucro."

O retardo na transferência da produção da França para o Brasil ajudará a evitar um plano de demissões voluntárias que a Dassault chegou a prever em abril.

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