Dida Sampaio
Dida Sampaio

Avaliação boa ou ótima do governo Temer é de 13%, diz pesquisa Ibope

Parcela que avalia governo como ruim ou péssima é de 39%, e regular, 36%; a margem de erro é de dois pontos porcentuais

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2016 | 11h00

BRASÍLIA - A porcentagem da população que considera a gestão provisória do presidente em exercício Michel Temer boa ou ótima é de apenas 13%, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A parcela dos entrevistados que avalia a atual gestão como ruim ou péssima é de 39%. Já os que consideram o governo regular são 36%. Outros 13% não souberam ou não quiseram responder. Todas as variações ocorreram dentro da margem de erro máxima de dois pontos porcentuais.

De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados desaprovam a maneira de governar de Temer desde que ele assumiu, em meados de maio. A proporção dos que aprovam a gestão é de 31%. Não souberam ou não responderam 16%. A CNI e o Ibope também perguntaram sobre a confiança em relação ao presidente em exercício. A parcela dos que não confiam nele é de 66%. O porcentual daqueles que confiam na pessoa do presidente é de 27%. Outros 7% não souberam ou não quiserem responder sobre a confiabilidade de Temer.

Em relação à Dilma, houve melhora na popularidade, porém pouco significativa. Dos entrevistados, 44% consideram que a gestão de Temer é igual a da presidente afastada. Outros 25% avaliam que a atuação do presidente em exercício é pior do que a sua antecessora. Dos entrevistados, 23% disseram que a gestão de Temer é melhor do que a Dilma. Outros 8% não souberam ou não quiserem responder. Na última pesquisa divulgada pelo CNI, a porcentagem da população que desaprovavam a maneira de Dilma governar era de 82%.

Políticas públicas. A pesquisa mostra um recuo na desaprovação da política no combate ao desemprego. Na gestão de Dilma, 86% desaprovavam o governo nessa área, hoje, na gestão Temer, o número caiu para 67%. Também caiu a desaprovação das políticas do governo, em comparação à gestão Dilma, no combate à fome e à pobreza (de 69% para 63%), na educação (de 74% para 64%), na segurança pública (de 84% para 72%) e no meio ambiente (de 68% para 55%).

Na consulta, somente 16% aprovam a aplicação da taxa de juros; em relação aos impostos, apenas 17%. A pesquisa mostra ainda que a parcela dos entrevistados que percebe o noticiário mais desfavorável ao governo é de 40%, enquanto aqueles que vêm o noticiário mais favorável são 18%. O porcentual dos que enxergam o noticiário nem favorável nem desfavorável é 25.

Na pesquisa, em menos de dois meses de governo, houve um grande número de não respostas. Os questionamentos foram feitos entre os dias 24 e 27 de junho. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 142 municípios. O grau de confiança da pesquisa é de 95%.

'Padrão Dilma'. Na avaliação do cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marco Antonio Carvalho Teixeira, os 13% de avaliação ótima ou boa do presidente em exercício mostram que ele tem um "padrão Dilma" de aprovação. "A presidente (afastada) tinha uma aprovação de 11%, ou seja, (a avaliação de Temer) está dentro da margem de erro, de um governo dentro do padrão Dilma. Em termos de percepção da sociedade, a sensação é que as coisas permanecem como estão e o governo é o mesmo, apenas com outro comando", disse Teixeira.

Para o professor da FGV, "do ponto de vista político, assim como no governo Dilma, o governo Temer segue na lama", diante das dificuldades políticas previstas diante da impopularidade do presidente em exercício. "Quanto mais Temer tiver problema de popularidade, maior será o custo no Congresso e isso ocorreu justamente com Dilma. Esse custo é ainda mais alto considerando que estamos em ano eleitoral e os parlamentares avaliam ainda mais o impacto de suas decisões", afirmou.

Ainda segundo Teixeira, outro fator que prejudicou Temer na pesquisa é o fato de ele ter escalado para o governo ministros investigados pela Justiça. "Sobre o aspecto da probidade, o governo Temer não fez mudanças e preferiu priorizar acordos políticos. O custo social é amplo", concluiu. COLABOROU GUSTAVO PORTO

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