Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Auxílio-moradia pago ao Judiciário contrataria 145 mil soldados no RJ

Dados são de um estudo do Senado; valor do benefício pago pela União chega a R$ 1,63 bilhão

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 16h00

BRASÍLIA - O valor total do auxílio-moradia pago pela União a membros do Poder Judiciário, estimado em R$ 1,63 bilhão por ano, seria suficiente para contratar 145 mil soldados na intervenção do Rio de Janeiro. Os dados são de um estudo feito pela Consultoria de Orçamentos do Senado, a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e foram divulgados nesta quarta-feira, 21.

A nota técnica faz uma comparação dos gastos nos âmbitos do Poder Judiciário e do Ministério Público com outras despesas públicas nas áreas de saúde, habitação popular, segurança pública ou educação. De acordo com o estudo, os recursos gastos com auxílio-moradia para juízes e procuradores poderiam ser utilizados para a construção de 2.768 Unidades Básicas de Saúde.

++ Fux tira auxílio-moradia da pauta do Supremo

Também equivaleria à remuneração, em um ano, de 120.413 agentes de combate a endemias; 28.790 professores universitários federais; 35.141 policiais militares em início de carreira; e de 145.295 soldados do Exército. Além disso, serviria para atender, por ano, a 751.738 famílias com o bolsa família e fornecer uma cesta básica por mês a 349.654 famílias.

Ainda de acordo com a análise, o valor do auxílio-moradia (R$ 4.377,73 por mês) é 331% maior que o piso salarial do agente de saúde; 78% maior que o piso salarial dos professores da educação básica; e 51% maior que o piso salarial estadual do Rio de Janeiro, fixado em patamar mais elevado, para diversas categorias de nível superior, tais como: advogados, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, estatísticos e contadores.

Randolfe, autor da proposta que extingue o auxílio-moradia, encaminhou cópia da Nota Técnica e de outras duas já produzidas sobre o tema a seu pedido pela Consultoria, a todos os ministros do Supremo Tribunal Federal, já que o tema será objeto de julgamento na Corte a partir de amanhã.

"Ao comparar o impacto dessa medida com outras necessidades urgentes da sociedade, como o combate à dengue e à febre amarela, ou mesmo a contratação de efetivo policial militar e do Exército, para a segurança pública e a intervenção do Rio de Janeiro, a sociedade pode ter mais clareza sobre o impacto financeiro dessa vantagem", defendeu Randolfe.

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