SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Auxiliares avaliam que 'caiu a ficha' de Dilma sobre a crise

Brasília - No Palácio do Planalto, é comum ouvir que agosto é o mês do desgosto. O ditado popular, porém, parece cada vez mais ganhar vida na temporada de crises que assustam o governo. A diferença, agora, é que "caiu a ficha" da presidente Dilma Rousseff, como garantem seus auxiliares mais próximos.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2015 | 02h02

No mês que se aproxima, o Congresso retomará suas atividades com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disposto a transformar a Casa numa trincheira de oposição, o Tribunal de Contas da União (TCU) examinará as contas de Dilma com a ameaça de impeachment rondando o ambiente e uma CPI do BNDES atormentará o Planalto, além daquela da Petrobrás. Não é só: a Operação Lava Jato fará mais vítimas e haverá eleição para a escolha do procurador-geral da República.

Rodrigo Janot, o atual chefe do Ministério Público, é favorito para ser reconduzido ao posto, mas, se vencer a disputa, terá de passar pelo crivo do Senado. Mais problemas à vista: furiosos com a atuação de Janot na Lava Jato, senadores querem vê-lo bem distante dali.

Nesse inferno astral, Dilma recorreu à distribuição de cargos e emendas parlamentares para soldar a base aliada. O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que ajuda o vice-presidente Michel Temer na articulação política, tem no gabinete da Secretaria de Relações Institucionais várias pastas com nomes de deputados e senadores. Ao lado de cada um, há faixas coloridas que indicam o índice de fidelidade nas votações. A cor vermelha sinaliza perigo, mas, hoje em dia, até a traição tem sido recompensada.

Diante de um cenário tão adverso, Dilma tentará, mais uma vez, investir na agenda positiva para recuperar a credibilidade. A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela sairá do Planalto, fará excursões pelo Nordeste, onde houve debandada de antigos eleitores do PT, e inaugurará obras País afora.

Em almoço com Dilma no Palácio da Alvorada, no último dia 14, Lula bateu com as duas mãos na mesa quando o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, fazia considerações sobre os problemas provocados pela Lava Jato.

"Eu não vim de São Paulo aqui para discutir Lava Jato", esbravejou Lula. "Se for para ficar falando disso, levanto e vou embora."

Naquele dia, o ex-presidente traçou um roteiro de reação à crise. Pediu para Dilma mandar os ministros viajarem e divulgar as ações do governo. Desde então, no entanto, tudo piorou e o próprio Lula virou alvo da Procuradoria da República no Distrito Federal, que suspeita de tráfico de influência em benefício da empreiteira Odebrecht.

Em nova ofensiva para recuperar a credibilidade, o Planalto promoverá, em agosto, cerimônias para lançar programas já em andamento, como o Minha Casa Minha Vida 3, e comemorar a marca de 60 milhões de pacientes no Mais Médicos. A ideia é que Dilma também faça tour por programas de TV.

No Congresso, com Eduardo Cunha na oposição, a estratégia consiste em se aproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também pode segurar um eventual processo de impeachment.

"Não podem morrer os dois", resumiu um auxiliar de Dilma, numa referência a Cunha e Renan. Em conversas reservadas, ministros preveem a derrocada de Cunha na Lava Jato e já avaliam nomes que possam sucedê-lo no comando da Câmara. Nenhum deles é do PT, mas também não se sabe quem poderá segurar o rojão do Planalto. Se agosto é o mês do desgosto, cada dia com sua agonia.

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