Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Auxiliar de escritório é sócio de empregador de Dirceu

José Eugenio Silva Ritter foi encontrado em uma área pobre do Panamá pela reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo

O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2013 | 23h17

BRASÍLIA - A empresa sócia majoritária do hotel St Peter, novo empregador do ex-ministro José Dirceu, foi constituída no Panamá e esta no nome de um auxiliar administrativo do escritório de advocacia Morgan y Morgan. As informações sobre a Truston International INC constam de documentos da junta comercial do Panamá. Cumprindo pena no regime semiaberto, Dirceu foi contratado, com carteira assinada, para receber R$ 20 mil de salário.

Segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, Jose Eugenio Silva Ritter é auxiliar de escritório e tem mais de mil empresas registradas em seu nome em vários países. Ele mora em uma área pobre, no Panamá, e foi encontrado pela reportagem lavando o carro na porta de casa. Responsável pela contratação de José Dirceu, o também sócio do hotel, Paulo de Abreu, disse ao jornal que Ritter "é um empresário estrangeiro que foi apresentado por meio de um advogado." Ele é irmão do José Masci de Abreu, presidente do PTN, partido aliado do governo Dilma Rousseff.

Os documentos da constituição da empresa mostram que a Truston foi aberta no dia 1º em julho de 2008; além de Ritter também está em nome de Dianeth M. de Ospino. Ritter é descrito no registro da Morgan y Morgan como auxiliar administrativo; ela como secretária.

O objetivo da empresa é "comprar, vender transferir, negociar, financiar, permutar, administrar, tomar e dar empréstimo, abrir ou manejar conta bancária no Panamá ou em qualquer lugar do mundo." Os endereços dos primeiros diretores da empresa, Ritter, Dianeth e Marta de Saavedra são os mesmos do prédio onde funciona a Morgan y Morgan. Em outubro de 2012, há registro de uma reunião da diretoria na qual consta que Ritter participou como presidente da Truston.

Ao contrário do que ocorre no Brasil, pela legislação do Panamá os empresários não são obrigados a informar às autoridades quando as companhias são transferidas de donos. Isso acaba dificultando a identificação do verdadeiro dono de uma empresa que pode ser aberta no nome de uma pessoa e depois transferida sem que ninguém saiba.

Ao JN, a advogada de Paulo Abreu afirmou que a sócia majoritária da Truston era até segunda-feira a nora dele, a empresária Lara Severino Vargas, quando vendeu sua parte a Paulo Abreu. Conforme a advogada, Abreu é dono de 60 % do prédio onde funciona o hotel Saint Peter. Os outros 40 %, ainda segundo a advogada, pertencem ao empresário Paulo Naya.

O St Peter é o único hotel do empresário Paulo de Abreu, que atua no setor de radiodifusão. Ele é dono da TOP TV que acaba de ser beneficiada pelo governo com autorização para transferir sua antena do interior de São Paulo para a Avenida Paulista, o que significa aumentar seu raio de ação.

Localizado na área central de Brasília, o Saint Peter tem como um dos seus pontos fortes a proximidade com a Esplanada e a área comercial da cidade. Um prédio de 30 anos, construído pelo então deputado Sergio Naya, já falecido, e leiloado em 2004 para pagar as indenizações às vítimas do desabamento do edifício Palace II, construído pelo ex-deputado, o Saint Peter enfrenta uma reforma geral há dois anos. Atualmente estão fechados o quarto andar, a sauna e a academia. Mas, nos andares onde a reforma já passou, o resultado não é muito animador.

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