Auxiliar de doleiro entregou dinheiro vivo a políticos, diz revista

Rafael Ângulo Lopes, braço direito de Alberto Youssef, viajou em voos comerciais por todo País com dinheiro amarrado ao corpo

Estadão Conteúdo

13 de dezembro de 2014 | 15h55

SÃO PAULO - Rafael Ângulo Lopes, braço direito do doleiro Alberto Youssef, executou, durante quase uma década, o trabalho de entregar dinheiro vivo em domicílio aos participantes do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Neste período, viajou de norte a sul do Brasil em voos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado, conforme reportagem da revista Veja


Os 'voos da alegria', como chama a reportagem exclusiva trazida na edição da revista que chegou hoje às bancas, começavam sempre em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas no Brasil e no exterior, em destinos como Peru, Bolívia e Panamá. Discreto, ele passou desapercebido pela Polícia Federal nas primeiras etapas da Operação Lava Jato. Com dupla cidadania, brasileira e espanhola, ele informou que quando tinha que viajar com volumes muito elevados, contava com a ajuda de dois ou três comparsas. Ele também anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. 


Assim, ele é considerado uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobrás. Segundo a revista, ele já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada em troca de redução da pena. 


Entre as anotações de Lopes há as que acrescentam detalhes à denúncia de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo da Toyo Setal, que disse ter pago propina diretamente ao caixa do PT. Por determinação de Youssef, ele fez pelo menos duas entregas de dinheiro ilegal na sede do PT em São Paulo, em 2012. Numa dessas entregas, foram levados R$ 200 mil e, na outra, R$ 300 mil.


A PF já apreendeu comprovantes de depósitos pessoais nas contas pessoais do senador Fernando Collor (PTB-AL). E o elo entre ele e o grupo criminoso que agia na Petrobrás deve sair das anotações de Lopes. A então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, também teria sido beneficiada do esquema, com o braço direito de Youssef entregando cerca de R$ 1 milhão na sede do governo do estado. Outros políticos também recebiam propina do esquema do doleiro, como André Vargas, cassado nessa semana, Luiz Argolo (SD-BA), Nelson Meurer (PP-PR) e o ex-ministro Mário Negromonte.

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