Autorizada quebra de sigilo de Padilha e Eduardo Jorge

O juiz substituto da 6ª. Vara Federal do Distrito Federal, Carlos Eduardo Castro Martins, autorizou a quebra de sigilo bancário do ex-ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, do ex-secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas e de diretores do extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER). A quebra de sigilo é para esclarecer uma negociação suspeita com uma empresa de revenda de veículos, que também terá que abrir suas contas bancárias para serem investigadas.O pedido de quebra de sigilo foi feito pelo Ministério Público Federal, que apontou indícios de irregularidades na compra de um veículo pela mulher de Padilha, que poderia ter sido pago pelo próprio Ministério. "A existência desses indícios, leva-me a concluir pela necessidade de esclarecer a respeito de tal fato, se houve ou não o pagamento pelo veículo, de que conta saiu e qual a proveidência do numerário, o que somente será alcançado com a quebra de sigilo bancário", afirma Castro Martins, em sua decisão.Sobre Eduardo Jorge, a suspeita é de ter influenciado em negociações entre o Ministério dos Transportes e a empresa 3 Irmãos Ltda, de exportação e importação. Os procuradores anexaram ao pedido troca de correspondências entre o ex-secretário-geral da Presidência da República e Padilha, onde há os supostos indícios. Conforme o juiz da 6ª . Federal, é normal a troca de avisos entre autoridades públicas, mas no caso, Eduardo Jorge "não se limitou a solicitar providências; requereu resposta, solicitou informações sobre o andamento de seu pedido."Além dos dois, a Justiça Federal também autorizou a quebra de sigilo bancário da empresa da qual Eduardo Jorge se referiu no pedido feito a Padilha. Além disso, também terão suas contas abertas o ex-diretor do DNER, Maurício Hasenclever Borges; Rômulo Fontenelle Morbach, procurador-geral do orgão e aprovou negociações com a empresa; Gilson Zerwes de Moura, diretor de Finanças do DNER, também suspeito de envolvimento na suposta irregularidade.Na mesma decisão, a Justiça determinou a quebra de sigilo do ex-chefe de gabinete de Padilha, Raimundo Dantas dos Santos, já que há indícios de seu envolvimento com Ulisses José Ferreira Leite, que já havia sido investigado pela Secretaria Federal de Controle. A decisão também atingiu o consultor jurídico do Ministério dos Transportes, Arnoldo Braga Filho, acusado de ter enviado em torno de US$ 1,5 milhão para bancos em Miami e Nova York.A Justiça também determinou que o governo brasileiro solicite aos Estados Unidos informações sobre possíveis contas existentes naquele país dos supostos envolvidos. O advogado de Eduardo Jorge, José Gerardo Grossi afirmou que iria analisar a questão para poder se pronunciar a respeito. Padilha afirmou que jamais participou de qualquer acordo judicial, pagamento indevido de precatórios ou qualquer irregularidade possívelmente cometida por ex-servidores do DNER. "Em relação à decisão da Justiça de quebra de sigilo bancário, o ex-ministro submeteu o tema aos seus advogados no sentido de recorrer da decisão", afirmou a assessoria de Padilha.

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